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A dívida pública global está saindo de controle

Imagem: Aida Amer

O alerta foi dado. O FMI soltou um comunicado avisando que as dívidas dos governos pelo mundo estão crescendo rápido demais, subindo acima do esperado e podendo chegar a US$ 100 trilhões pela 1ª vez até o final do ano .

  • Até 2030, a dívida pode chegar a 100% do PIB global . Isso significa que só seria possível pagar os subsídios se todos os países do mundo juntassem todas as suas riquezas e recursos gerados em um ano.

Como chegamos nessa situação? Basicamente, ao gastar mais do que arrecadam, os governos pedem dinheiro emprestado através da emissão de títulos de dívida para conseguir pagar as contas.

Além da pandemia — que trouxe um boom de empréstimos para ajudar pessoas, empresas e países —, as guerras em curso afetaram as relações comerciais e acabam impactando a cadeia produtiva do planeta.

Para se ter uma ideia, hoje, a economia do mundo cresce a um ritmo lento de 3,2% ao ano em média — abaixo dos 4% registrados durante décadas.

Por que isso é importante?  O acúmulo de dívidas pode gerar um baixo crescimento da economia mundial, com menos $$$ disponíveis para investimentos e a possibilidade de aumento de impostos para lidar com todos esses débitos.

Nas palavras do próprio FMI, o que deve ser feito para evitar esse cenário é reduzir gastos públicos e as isenções fiscais de forma gradual — evitando cortes mais dolorosos como em benefícios sociais.

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Por que alguns países são muito mais ricos que outros?

Imagem: Christine Olsson

Foi tentando responder essa pergunta que três americanos ganharam o Nobel de Economia. O dado que deu o pontapé inicial para o estudo foi: os 20% dos países mais abastados são 30x mais ricos que os 20% mais pobres.

Uma visão geral: Eles perceberam que, no longo prazo, nações colonizadas tiveram grandes consequências vindas das regras que organizaram suas sociedades enquanto não eram países livres.

Ao olharem para outros fatores que vão além do clima, cultura ou localização, os vencedores do Nobel romperam com a ideia de que os colonizadores ficaram ricos e os colonizados estão fadados à pobreza.

Isso porque, na visão deles, o que importa mesmo são as instituições — os princípios que organizam a economia e a política de um país. Voltando ao passado, eles dividiram os países colonizados em dois grupos:

  • Os que tinham muita população local e que acabaram sendo explorados com as riquezas tomadas;
  • E aqueles com regiões menos povoadas que receberam mais colonos e tiveram instituições criadas.

Os três pegaram como exemplo a cidade de Nogales, que fica metade nos EUA e metade no México. Enquanto o lado americano é mais rico e com mais direitos, a parte mexicana sofre com crime, corrupção e pobreza.

🎻 Resumo da ópera: Ao ganhar o maior prêmio da economia mundial, o estudo mostrou que o que realmente importa para um país prosperar é um sistema que garanta a democracia e a liberdade econômica.

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China dá o troco nos europeus e aumenta impostos sobre o conhaque

Imagem: Meng Zhongde

“Cobra daqui que eu cobro daí.” O governo chinês decidiu subir o tom contra a União Europeia e passou a cobrar um imposto de quase 40% sobre a importação de conhaque vindo do Velho Continente.

A China é o 2º maior destino de exportação de conhaque, mas é o mais lucrativo de todos. Para se ter ideia, só a França foi responsável por 99% das importações da bebida para a China, movimentando US$ 1,7 bilhão.

Não à toa… As ações das principais fabricantes de bebidas alcoólicas europeias caíram rapidamente, com a expectativa que os produtos fiquem pelo menos 20% mais caro na China.

  • Na visão de Pequim, a nova taxa é necessária porque, há anos, a bebida importada da Europa estaria sendo vendida a preços muito baixos, prejudicando os concorrentes e produtores locais.

🥃 Nada é por acaso: Os impostos chineses são uma resposta às tarifas de até 45% que a UE impôs aos carros elétricos chineses. Curiosamente, o motivo foi o mesmo: eles estavam sendo vendidos a preços abaixo do mercado.

Além do conhaque, o governo de Xi Jinping estuda aumentar os tributos sobre os veículos europeus que rodam queimando combustível.

Na prática, as 2ª e 3ª maiores economia do mundo estão à beira de uma guerra comercial. A China é o 3º maior parceiro da UE em exportações e o maior em importações. No ano passado, o comércio bilateral entre os dois chegou à casa dos 740 bilhões de euros.

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Você conhece alguém que gasta mais de R$ 40 mil no cartão?

Imagem: BTG Pactual

Se conhecer, avisa o BTG. Isso porque o banco anunciou o seu cartão mais exclusivo de todos, mirando ampliar a popularidade entre os clientes de alta renda.

  • Para ter acesso ao cartão Ultrablue, é preciso ter pelo menos R$ 1 milhão investidos na instituição. Já para zerar a anuidade de R$ 400 por mês, os gastos no cartão precisam passar dos R$ 40 mil.

E o que vem com isso? Além das salas VIP, milhas e IOF especial — que já são de praxe —, o Ultrablue vai dar acesso com desconto ao Terminal BTG em Guarulhos, atendimento especial e concierge exclusivo. 

A iniciativa bate de frente com outras instituições que oferecem exclusividades para clientes de alta renda, como os grandes bancos de varejo e digitais. No fim, o BTG quer se consolidar no mercado de serviços financeiros de elite.

Não existe ponto sem nó 🪢

No geral, contas de renda elevada têm mais capacidade de gerar lucro para os bancos, já que movimentam quantias maiores, investem em ativos qualificados e contratam serviços mais complexos.

A lógica por trás: Falando em valores das transações e dos investimentos, pense que, para essas instituições, em muitos casos vale mais a pena conquistar 1 cliente multimilionário do que 1.000 de renda média.

Em média, o brasileiro gasta R$ 1,4 mil por mês com cartão de crédito. Ao mesmo tempo, cerca de 413 mil pessoas têm mais de R$ 1 milhão na conta no nosso país — o que dá 0,2% da população. É entre eles que está a disputa.

Bottom-line: No 1º tri deste ano, o BTG teve um lucro líquido recorde de R$ 2,9 bilhões, um crescimento de 27,7% na comparação ano a ano. Já as receitas somaram quase R$ 6 bi — uma alta anual de 22,7%.

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Governo cria piso de impostos de 15% para multinacionais

Imagem: IstoÉ

O governo Lula assinou uma medida provisória que determina, a partir do início do ano que vem, um piso de impostos de 15% sobre o lucro líquido para multinacionais que atuam aqui no Brasil.

Segundo o governo, a novidade visa seguir os padrões da OCDE, o chamado “Imposto Global”, que já existe em algumas das economias mais ricas do planeta, como Japão, Canadá, Reino Unido e Alemanha.

  • A ação segue o desejo declarado por Haddad de “fazer os bilionários do mundo — donos dessas grandes companhias — pagarem uma justa contribuição em impostos”.

Ao todo, a mudança vai impactar 290 grupos empresariais, cada um com um faturamento global superior a 750 milhões de euros — sendo 20 deles brasileiros.

A Receita Federal estima que o impacto nos cofres públicos evolua ano a ano, chegando à faixa de R$ 8 bilhões anuais a partir de 2028. Ao todo, a expectativa de arrecadação é de mais de R$ 18 bilhões entre 2026 e 2028.

⚙️ O outro lado da moeda: Impostos maiores podem afastar empresas, uma vez que fica menos atrativo ($) produzir aqui, o que pode até diminuir a arrecadação do governo, em vez de aumentar. 

Nota de rodapé: Como é medida provisória, o Congresso precisará analisar e aprovar para que realmente vire uma nova lei permanente.

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Montadoras europeias ligam o pisca-alerta

Imagem: Sarah Grillo

Perigo na estrada. As principais gigantes do setor automobilístico estão se preparando para passarem por maus bocados nos próximos meses, com projeções de queda nas vendas e nos lucros.

  • São duas frentes de preocupação: Europa e China. Enquanto no Velho Continente crescem as regulações e incentivos para carros elétricos, as marcas chinesas estão ganhando espaço entre os consumidores asiáticos.

Em números: A participação de montadoras estrangeiras na China caiu de 64% em 2020 para 37% neste ano. Já na Europa, as vendas de carros novos caíram 18% — o nível mais baixo em 3 anos.

Com esse cenário, os lucros da Volkswagen e da Stellantis — fabricante de Fiat, Jeep, Peugeot, Citroen e RAM — devem cair entre 7% e 10% neste semestre, gerando um fluxo de caixa negativo entre 5 e 10 bilhões de euros.

No final, dois caminhos estão sendo avaliados nas empresas. Ou reduzir a produção para se adaptar à menor demanda, ou oferecer descontos, o que pode prejudicar ainda mais os lucros.

O famoso “Made in China”: Até nos EUA a entrada de marcas chinesas no mercado tem incomodado as europeias. Isso porque, no geral, os carros chineses têm uma grande frota de elétricos e são mais baratos.

Essa estratégia vai na contramão do que as montadoras ocidentais têm feito, já que os EVs são mais caros de produzir e não estão vendendo tanto devido aos preços altos e às poucas opções de carregamento.

Bottom-line: Para tentar frear a “onda chinesa”, a Europa aumentou as tarifas sobre elétricos feitos na China para cerca de 35%. Já os EUA quadruplicaram as taxas sobre os chineses, chegando aos 50%.

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Tem empresa brasileira mirando alguns bilhões na Bolsa de NY

Imagem: Moove

Pela primeira vez em quase três anos, uma empresa brasileira está de volta em Wall Street se preparando para lançar ações na Bolsa de Nova York na semana que vem.

🤔 “Que empresa é essa, tia Nice?” Estamos falando da Moove, que faz parte da Cosan e fabrica e vende lubrificantes para carros, aviões e máquinas.

  • A companhia vende seus produtos em 10 países das Américas e Europa e exporta para mais de 60 países, incluindo lugares na Europa e na Ásia.

Talking dollars: A escolha do mercado americano para abrir capital veio do fato de que mais da metade da receita da Moove vem do exterior, além da empresa acreditar que é fora do Brasil que tem maior espaço para crescer.

Com o preço das ações entre US$ 14,50 e US$ 17,50, a oferta pública pode deixar a companhia brasileira com um valuation entre R$ 10 bilhões e R$ 11 bilhões (quase US$ 2 bi).

By the numbers: No 1º semestre, a Moove teve receita de mais de R$ 5 bilhões — uma queda de 1,6% comparando com o ano passado. Por sua vez, o lucro líquido foi de R$ 237M, revertendo um prejuízo em 2023.

Quem está bem feliz com essa história é a Cosan, que vai continuar com pelo menos 57% do controle da Moove depois do IPO, o que pode fazer o grupo embolsar quase R$ 1 bilhão da negociação.

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Brasil completa 5º mês com mais de R$ 1 trilhão no vermelho

Imagem: Poder360

Já virou rotina? Nos últimos 12 meses até agosto, o Brasil registrou um déficit nominal de R$ 1,11 trilhão nos orçamentos de todo o setor público — União, estados, municípios e estatais. É o quinto mês seguido que o rombo fica na casa do trilhão.

  • No economês, diferente do chamado “déficit primário”, o “déficit nominal” é a diferença entre todas as despesas do governo e suas receitas totais incluindo os juros da dívida.

Ou seja, também entra na conta o que devemos por causa dos juros dos empréstimos que fizemos para pegar dinheiro e tentar manter as contas públicas equilibradas.

💳️ Fazendo o paralelo: As contas do governo não funcionam tão diferente da sua. Quando você atrasa a fatura do seu cartão, além de precisar pagar o valor pendente no mês seguinte, também precisa pagar os juros por ter ficado devendo. Quanto mais tempo você deve, mais juros paga — sobre o próprio juros anterior, inclusive.

É aí que mora o problema…

Mais de R$ 850 bilhões do rombo nominal do Brasil — quase 77% do total — vêm justamente dos juros das dívidas. Isso no momento em que o nosso país tem a 2ª maior taxa de juro real do mundo. Pense que quanto maior os juros, mais rapidamente a dívida cresce.

Já a dívida bruta brasileira, ou seja, tudo que o governo deve, chegou a 78,6% do PIB, representando R$ 8,9 trilhões. Quando Lula subiu a rampa do Planalto em Jan/23, essa relação de endividamento estava em 72%.

Futuro nada animador… Nas projeções do próprio governo, que não tem cortado gastos, a dívida pública vai continuar subindo até 2027, quando deve atingir o pico de quase 80% do PIB.

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Hidrelétricas terminam o mês com menos da metade dos reservatórios

Imagem: Mongabay

Efeitos da pior seca dos últimos anos. Com a falta de chuvas, a quantidade de água armazenada nos reservatórios das hidrelétricas deve terminar o mês de outubro com menos de 40% da capacidade.

  • Isso significa que, ao longo do próximo mês, os reservatórios vão perder quase 7% da água que tinham no começo desta semana — afetando a geração de energia para o país inteiro.

💡 Como a luz chega na sua casa? No Brasil, mais de 75% da eletricidade vem das hidrelétricas, que dependem do nível dos rios para, basicamente, gerar energia a partir da força do movimento da água.

Enquanto a previsão é de um volume de chuvas 50% menor do que o normal para o ano, a demanda por eletricidade aumenta cada vez mais por causa do calor — com o uso de ar-condicionado ou ventilador, por exemplo.

Qual é a alternativa? Com as hidrelétricas secando, o país precisa buscar outras formas de gerar energia para evitar apagões. A principal solução é acionar as usinas termelétricas.

Acontece que elas rodam com queima de combustíveis e são bem mais caras para funcionar, fazendo com que o governo repasse esse aumento para a conta de luz da sua casa justo no momento em que o calor vem chegando.

No fim da linha… Uma cobrança extra de R$ 7,87 a cada 100 kWh consumidos vai começar em outubro. Como referência, uma casa numa cidade do nosso país gasta aproximadamente 150 kWh a 200 kWh por mês.

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Bets receberam R$ 10,5 bi de beneficiários do Bolsa Família

O levantamento do Banco Central apontou que, entre janeiro e agosto de 2024, casas de apostas receberam mais de 10 bilhões de reais de pessoas que recebem o Bolsa Família.

Ao todo, 9 milhões de beneficiários deixaram uma média de R$ 147/mês nas plataformas de bets.

(Parênteses) Esses dados incluem somente valores enviados por Pix e já desconsideram os pagamentos das casas aos vencedores.

Imagem: Poder360

Por que é relevante? Pense que o Bolsa Família é uma forma do governo destinar renda aos mais pobres — renda mensal por pessoa de até R$ 218 — e ao mesmo tempo estimular e girar a economia.

  • Com boa parte dessa renda indo para apostas, setores como varejo e até de supermercado são impactados.

Fazendo um paralelo, o governo destina em média R$ 14 bi por mês ao programa, o que dá R$ 112 bi de janeiro a agosto. Na prática, isso significa que quase 10% parou no bolso de bets.

Para fechar: No país, 24 milhões de pessoas fizeram ao menos um Pix para casas de apostas. Em outras palavras, quase 40% de quem aposta está no Bolsa Família.

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