Sobe e sobe. Por unanimidade, o BC decidiu aumentar a taxa de juros do nosso país em 0,5%. Basicamente, a decisão foi tomada levando em conta uma expectativa de inflação maior neste ano e um cenário fiscal mais apertado.
Isso deixa o Brasil com a 3ª maior taxa de juros reais do mundo . Na prática, pegar crédito é bem caro por aqui.
Eis que a preocupação chegou no Planalto. Após uma alta de mais de 6% em um mês e o segundo maior valor do dólar na história do país, Lula convocou uma reunião pensando em cortar gastos.
O dólar saiu de um patamar de R$ 4,85 no fim do ano passado para embarcar numa jornada de alta até chegar em R$ 5,87 na semana passada — um patamar que só tinha sido visto na época da pandemia.
😬🇧🇷 O risco Brasil: Embora fatores globais influenciem no câmbio, um dos grandes motivos para a disparada é a incerteza do cenário fiscal do nosso país. Basicamente, os gastos públicos sobem sem nenhum sinal de controle.
Há alguns meses a equipe econômica do governo fala que vai cortar gastos, mas, na verdade, isso só foi sendo adiado mais e mais vezes — deixando subentendido que a medida não é uma prioridade. Ou pelo menos não era…
Agora, Lula até pediu para Haddad cancelar sua eurotrip e ficar no Brasil para acelerar a entrega de um pacote de contenção de despesas. Nas palavras do ministro, o governo está na “reta final” para lançar as medidas.
O que vem por aí? Lula e seu time devem focar em reduzir os gastos obrigatórios — como os da saúde e educação —, além de controlar pagamentos de benefícios sociais e revisar despesas como o seguro-desemprego.
O rombo deste ano deve ser de R$ 66 bilhões. Com isso, se as medidas não forem aprovadas, ou o governo Lula para setores públicos, ou passa por cima do arcabouço fiscal — duas saídas que causariam uma crise econômica.
Seja para comer dentro ou fora de casa, o preço da comida neste final de ano deve pesar no orçamento dos brasileiros de uma forma que não era vista em pelo menos 10 anos.
O que está acontecendo? No 4º trimestre, as expectativas são de um aumento de pelo menos 1% ao mês na inflação dos alimentos — puxado principalmente pela alta da carne.
Se quando o ano começou o consenso do mercado para o preço da comida era de um crescimento de 4%, hoje, a realidade é de uma inflação de mais de 7% para o grupo.
🍽 A relevância: Os alimentos estão ficando mais caros do que os outros produtos em geral, e, além da inflação, a alta nos valores tem crescido mais rápido que a remuneração básica da população.
Com isso, o impacto é sentido principalmente pelas famílias de baixa renda. Para se ter uma ideia, os gastos das famílias com alimentação e bebidas deve passar do R$ 1 trilhão pela primeira vez na história neste ano.
E para o ano que vem? Mesmo com expectativa de safra recorde e clima favorável, o dólar nas alturas deve encarecer produtos importados como o trigo — usado em pães — e deixar a exportação de carne mais atrativa.
Zoom out: Alimentação e combustível respondem por 41% do orçamento de uma família brasileira. Nos países de baixa renda — como o nosso —, 7 em cada 10 pessoas não conseguem pagar por uma dieta saudável.
Aproximou, pagou. Até o final do ano, todo mundo que usa o PIX vai poder fazer seus pagamentos pela modalidade apenas aproximando o celular da maquininha — como já acontece com os cartões de débito e crédito.
A ideia é que os brasileiros cadastrem as suas contas bancárias nos aplicativos de carteira digital dos celulares. Depois disso, o modo PIX vai aparecer por lá junto com os outros cartões cadastrados.
Quando chega? Para os usuários de Android, a novidade deve estar disponível a partir da semana que vem. Já para todos os outros aparelhos, o PIX por aproximação chega até o fim do ano.
O Banco Central quer popularizar ainda mais o uso da modalidade no nosso país ao deixar o processo mais fácil e rápido. Pense que um clique vai bastar para conseguir fazer o pagamento.
O potencial dessa ideia: Na hora de pagar por algo, mais de 60% dos brasileiros responde “sim” quando o caixa pergunta “aproxima?”. Entre esses que pagam por aproximação, 78% usa um cartão e 32% prefere o celular.
Ao mesmo tempo, com menos de 4 anos de existência, o PIX já é o meio de pagamento mais popular do Brasil. São 160M de cadastros — 145 mi desses sendo pessoas físicas. Só no passado foram movimentados R$ 17,1 tri.
Ou seja… O PIX por aproximação tem grande potencial para se tornar o queridinho dos brasileiros, movimentando bilhões de reais. Assim como o PIX agendado, que passou a valer nesta semana para pagamentos recorrentes.
Sendo disputado por dois gigantes. É nessa situação que o Brasil se encontra quando o assunto é a Nova Rota da Seda — um mega projeto chinês para emprestar dinheiro e construir obras de infraestrutura pelo mundo.
O governo Lula está em contato frequente com as autoridades chinesas, e tudo indica que o nosso país vai, de fato, aderir ao plano pensando em verba para expandir rodovias.
O famoso “soft power”: A estratégia chinesa, mais do que ganhar dinheiro com o pagamento das dívidas, é aumentar a influência e a relação com os governos de outros países.
Foi exatamente por isso que os EUA entraram na história. Vendo que o Brasil está prestes a fazer parte do programa chinês, o governo americano disse que o nosso país precisa ter cautela ao tomar essa decisão.
Na visão de Washington, ficar dependente de Pequim é algo perigoso e que vai desestabilizar a nossa economia — principalmente por conta das dívidas vindas de contratos controlados pelos chineses.
“Come with me”: Os EUA propuseram uma alternativa prometendo que vão fechar um acordo em novembro para dar prioridade à compra de lítio e níquel brasileiros.
O governo da China ainda rebateu os americanos dizendo que o Brasil não pode perder essa oportunidade e que o nosso país “merece respeito”. A decisão final deve ser tomada até novembro, quando Xi Jinping deve vir visitar Lula.
Se, por acaso, o seu controle remoto deixar a sua TV no Canal do Boi, muito provavelmente o locutor vai estar bem animado ao comentar os preços do leilão.
Em pouco mais de um mês, o preço do boi gordo subiu 24%, chegando a mais de R$ 300 por arroba em várias regiões do país.
O boi gordo é o gado que está pronto para o abate, ou seja, que atingiu o peso ideal para já ser vendido como carne.
Neste ano, a grave seca enfrentada na maior parte do país prejudica o pasto e, como consequência, há um aumento no custo para alimentação dos animais.
Some isso ao aumento das exportações, onde já batemos recorde de venda de carne para outros países no mês passado, e tenha o resultado atual: alta de quase 25% em um mês.
Ok, mas o que eu tenho a ver com isso? Com o boi vivo mais caro, o preço da carne que você compra também aumenta, e é por isso que o seu churrasco de domingo está realmente custando mais.
🥩 Em setembro, por exemplo, a carne teve alta de 2,97% — o maior avanço desde dezembro de 2020.
O contrafilé foi o que mais encareceu, com alta de 3,79%.
A carne de porco subiu 3,67%, o patinho3,15% e a costela3,1%.
A picanha no último mês foi a menos impactada, com apenas 0,12% de alta.
Pelas cifras: De janeiro a setembro, o faturamento do nosso agro com as exportações de carne cresceu 20%, batendo US$ 9 bi. China e EUA são nossos maiores clientes, e, para o ano que vem, mais recordes estão previstos.
Do final do ano passado até hoje, o dólar saiu de um patamar de R$ 4,85 para embarcar numa jornada de alta constante até bater R$ 5,69 durante o pregão de ontem.
Novo normal? O brasileiro se acostumou a ver a cotação da moeda estrangeira acima da casa dos R$ 5 . Só no 1º semestre deste ano, o real foi a 5ª moeda que mais desvalorizou no mundo em relação ao dólar (-13,4%).
Levando todos os fatores dessa sequência de setinhas para cima em consideração, um estudo internacional chegou à conclusão de que 82% da alta do dólar se deve a fatores internos e questões domésticas do nosso país .
😬🇧🇷 O tal do “risco Brasil”: Embora os fatores globais também influenciem no câmbio, no geral, os problemas e crises políticas por aqui são mais graves e constantes do que em outros países emergentes.
Para citar alguns exemplos de algumas pautas que pesam no dólar são as incertezas sobre como o governo trata o BC e as estatais, as dúvidas sobre a política fiscal e o risco do país não conseguir controlar as dívidas.
Tudo isso é pega mal… Se você fosse um grande investidor internacional, provavelmente não colocaria seus preciosos dólares num país que parece estar indo por um caminho mais arriscado — comprometendo as chances de retorno.
Mesmo com os juros altos nos EUA e a queda no preço das commodities , se o Brasil caminhasse no mesmo ritmo que os demais países emergentes , os economistas apontam que o dólar por aqui estaria na casa dos R$ 5,10 .
A presidente do PT, Gleisi Hoffman, esteve nos escritórios da XP em São Paulo e afirmou que, a partir de 2025, Gabriel Galípolo não vai mais se preocupar em “ganhar a confiança da Faria Lima”.
Ao que parece, segundo ela, o novo presidente do BC, indicado por Lula, vai afrouxar as rédeas da política monetária — abaixar os juros sem se preocupar tanto em controlar inflação.
O episódio fez a pergunta da manchete dessa matéria voltar à Faria Lima, na contramão da confiança que o indicado de Lula vinha conquistando com boa parte do mercado.
Lembre-se que ele saiu muito bem-visto da sabatina do Senado no início do mês, sendo elogiado até por políticos de direita.
Na prática, se Galípolo atuar alinhado com os interesses do governo, ele tende a querer reduzir juros a qualquer custo — o que provavelmente aceleraria o PIB, mas também a inflação.
Ainda assim, há economistas que continuam otimistas com uma postura mais técnica e cautelosa do GG.
Zoom out: Hoje, temos o 2º maior juro real — taxa de juros menos inflação — do mundo, somente atrás da Rússia.
Custa caro ficar com a barriga cheia. Os gastos das famílias do nosso país com alimentação e bebidas deve bater recorde neste ano, passando do R$ 1 trilhão pela primeira vez na história.
O valor representa um aumento de quase 10% na comparação com o ano passado, e inclui tudo que é comprado para comer e beber — seja dentro de casa ou fora.
Por que importa? O fato de os brasileiros estarem gastando com mais alimentação também é reflexo da alta no preço da comida, que cresce mais rápido que a inflação e a remuneração básica da população.
Para se ter uma ideia, a inflação dos alimentos deve subir 7% neste ano — acima do aumento dos preços no geral. Com isso, o impacto é sentido principalmente pelas famílias de baixa renda.
🏠 Dentro de casa: Os alimentos queridinhos da população brasileira, como arroz, feijão, batata e cenoura, já ficaram 10% mais caros em 2024.
🍽 Na rua: Comer fora de casa nunca esteve tão caro quanto agora. Uma refeição completa está saindo, na maioria das vezes, por uma média de R$ 50.
Zoom out: Alimentação e combustível respondem por 41% do orçamento de uma família brasileira. Nos países de baixa renda — como o nosso —, 7 em cada 10 pessoas não conseguem pagar por uma dieta saudável. Nos países ricos, esse índice não passa dos 7%
O conglomerado LVMH reportou uma queda de 5% nas vendas do 3º trimestre de sua vertical de moda e artigos de couro , resultado abaixo das expectativas dos analistas, que previam um aumento entre 0 e 4% .
Ao que tudo indica, o principal responsável por essa desaceleração é a China, que, por conta da crise imobiliária local , viu seus consumidores, especialmente os da classe média, passarem a priorizar outros gastos.
O resultado abaixo do esperado da LVMH também coloca em dúvida os planos que o governo chinês anunciou no final de setembro para transações para a economia — e que fez com que ações das empresas europeias de bens de luxo subissem.
Por que isso é importante? Nas últimas 2 décadas, a China contribuiu muito para o crescimento do setor, passando de representar apenas 1% das vendas globais de luxo em 2000 para 1/3 atualmente .
Além disso, a LVMH é para a moda de luxo o que a NVIDIA é para chips de IA. Ou seja, a queda nas vendas do conglomerado pode sinalizar tempos ainda mais difíceis para rivais menores.
Diminua o zoom. Hoje, o número de compradores de luxo é menor, consequência do cenário macroeconômico atual e dos aumentos agressivos de preços — o produto de luxo médio é 60% mais caro hoje do que era em 2019 —, que acabou afastando os menos ricos.
Agora, essas marcas talvez tenham que lançar novos produtos com preços mais realistas, especialmente à medida que os consumidores transferem os seus gastos para outras prioridades, como saúde, bem-estar e viagens.