Talvez alguns de vocês não saibam, mas além de jornalista e aspirante à investidora, também sou escritora; transformei este meu hobby em atividade profissional e para reunir meus textos num só lugar, adicionei esta página no Blog. Além de se manterem informados, agora vocês poderão ler alguns dos meus textos. Sim, “alguns” porque a grande maioria eu separo e acabam indo para meus livros; para conhecer minhas obras publicadas, clique aqui. Aqui, nesta página, tentarei ao máximo unir romantismo e informação para não perdermos a identidade informativa do Blog, inspirando obras literárias ou músicas para vocês.
Imensidão do Universo
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Diante da vastidão do tempo e da imensidão do universo, é um imenso prazer para mim dividir um planeta e uma época com você.
Carl Sagan
Esta foi a dedicatória do livro Cosmos, do astrônomo Carl Edward Sagan, para sua mulher, Annie. Cientista planetário, ele foi conselheiro da NASA e colaborou no desenvolvimento do Apollo 11.
Autor de mais de 600 publicações científicas, Sagan também era conhecido por suas reflexões profundas sobre a humanidade.
Inclusive, na dedicatória romântica do seu livro, ele usa conceitos científicos para falar sobre o senso de unidade de habitarmos o mesmo planeta — que é apenas um ponto minúsculo no vasto cosmos.
Só para se ter uma ideia, além da Via Láctea, existem entre 100 e 200 bilhões de galáxias no universo observável. Reduzindo o espectro para a Terra, as estimativas indicam que mais de 100 bilhões de pessoas já passaram por aqui.
Atualmente, há 7 bilhões de pessoas no mundo — e cada uma delas tem um universo de pensamentos dentro de si.
Carla Madeira já bem disse que “o que mais existe no mundo são pessoas que nunca vão se conhecer. Nasceram em um lugar distante, e o acaso não fará com que se cruzem.”
Talvez por isso, Victor Hugo afirme que “a vida não passa de uma oportunidade de encontro”, e Vinicius de Moraes declame que “a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.”
Voltando para Carla Madeira, a autora lembra que “alguém pode passar pela esquerda enquanto olhamos distraídos para a direita. Por um triz o paralelo nos obriga ao desencontro eterno.”
Mas, ainda que muito amor seja perdido nessa falta de sincronia, é lindo pensar que deve mesmo existir um certo milagre nos encontros.
Seja por uma força divina ou apenas por coincidência, várias pessoas cruzam o nosso caminho. Quando esse encontro vira conexão, até o mais cético concorda: não é tolo dizer que o amor é sagrado.
Ciranda de Pedra
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“Ouça, Virgínia, é preciso amar o inútil. Criar pombos sem pensar em comê-los, plantar roseiras sem pensar em colher as rosas, escrever sem pensar em publicar, fazer coisas assim, sem esperar nada em troca. A distância mais curta entre dois pontos pode ser a linha reta, mas é nos caminhos curvos que se encontram as melhores coisas”
O trecho faz parte do romance Ciranda de Pedra, escrito em 1954 pela Lygia Fagundes Telles — também conhecida como “a dama da literatura brasileira”, que faleceu em 2022, aos 103 anos de idade.
Explorando o universo psicológico de seus personagens, Lygia fazia profundas reflexões sobre as feridas da alma humana.
No trecho destacado, ao dizer que é preciso “amar o inútil”, a autora remete à ação desinteressada, à busca pelo prazer de criar e viver sem a expectativa de recompensa imediata ou utilitária.
A imagem de criar pombos sem pensar em comê-los e plantar roseiras sem esperar colher as rosas nos faz refletir sobre o valor da criação em si, não como algo instrumental, mas como um fim em si mesmo.
Seja um feito na vida profissional, uma demonstração de carinho ou um pedido de desculpas, você consegue se lembrar da última vez que fez alguma coisa sem esperar nada em troca?
Porque se a gente parar pra pensar, a decepção não está atrelada ao que fazemos, mas sim à expectativa que criamos em relação ao nosso objetivo.
Se você escrever um texto pelo simples prazer de escrever, só o fato de colocar as palavras no papel te deixará satisfeito. Da mesma forma, um pedido de desculpas sincero, mesmo se não for aceito,pode trazer paz pro seu coração.
E isso não significa que a gente não deve traçar objetivos. E nem parar de sonhar.
Significa, na verdade, que quando a busca se materializa apenas na recompensa, o propósito acaba ficando pra trás— e a gente se esquece de enxergar a beleza do caminho.
Plante sem pensar em colher, escreva sem pensar em publicar e dê sem pensar em receber. Aos olhos de alguns, isso pode parecer ingenuidade mas, no final do dia, cada um é o que dá e não o que recebe.
Cheganças
Anora
“Se soubesse como gosto das suas cheganças, você chegaria correndo todo dia.”
Chico Buarque
Quando Chico Buarque usa a palavra “cheganças”, ele não fala apenas de uma simples chegada, mas de um ato quase ritualístico, carregado de expectativa e desejo.
É como se cada chegada do outro fosse uma pequena obra de arte, única e esperada.
E aí, abrimos espaço para o sentimento já descrito por Antoine de Saint-Exupéry: se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz.
A poesia de Chico, então, não se limita ao sentido direto, mas carrega em si uma metáfora da urgência do amor.
Dizer que você “chegaria correndo todo dia” reforça essa ideia de que o amor exige uma presença constante e com pressa, como se o tempo fosse sempre escasso pra quem está apaixonado.
Assim, a velocidade dessa chegada é a urgência de estar junto, de romper a distância que separa.
Por outro lado, a frase “se soubesse” carrega um pouco de melancolia, de algo que não se sabe e, por isso, nem sempre se concretiza. É a junção do desejo e da distância, do querer e do não saber.
Se esse outro soubesse o quanto sua presença é ansiada, ele não hesitaria, não demoraria e chegaria correndo. Mas essa dúvida é a dor sutil que acompanha a alegria do encontro.
E, no final das contas, o amor é uma poesia que abraça o contraditório. Que tem urgência de proximidade, mas sabe que a distância é inevitável. Que oscila entre o prazer da espera e a dor do não saber.
Amar é ter vontade de se perder e se encontrar, de se ter e se dar. E mesmo que o amor urgente nos arraste para a beira do abismo, ele também nos ensina a saltar, a viver no instante — e a chegar correndo todo dia.
Receita de Ano Novo
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Para você ganhar belíssimo Ano Novo cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido (mal vivido talvez ou sem sentido) para você ganhar um ano não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; novo até no coração das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior) novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, mas com ele se come, se passeia, se ama, se compreende, se trabalha, você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, não precisa expedir nem receber mensagens (planta recebe mensagens? passa telegramas?)
Não precisa fazer lista de boas intenções para arquivá-las na gaveta. Não precisa chorar arrependido pelas besteiras consumadas nem parvamente acreditar que por decreto de esperança a partir de janeiro as coisas mudem e seja tudo claridade, recompensa, justiça entre os homens e as nações, liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.
No poema “Receita de Ano Novo”, Carlos Drummond de Andrade faz uma brincadeira com a nossa crença de que apenas um número é capaz de mudar a nossa vida.
Como se pular 7 ondinhas, comer 12 uvas e beber champanhe ou qualquer outra birita conseguisse mudar alguma coisa no ano que está chegando.
Roberto Pompeu de Toledo bem disse que quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses é tempo suficiente pra qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, só que com outro número.
Mas como lembra Drummond, não adianta esperar que a mudança de calendário vá mudar a sua vida.
A verdade é que o clichê é real: todo dia é ano novo e sempre que o sol nasce, temos a oportunidade de fazer diferente.
Em vez de fazer mil promessas grandiosas e esperar que tudo se resolva em 2025, talvez seja melhor enxergar 2024 com mais generosidade.
Porque ainda que você não tenha cumprido todas as suas metas, você fez o que dava conta de fazer. E isso não é um convite pro comodismo, mas um lembrete de que não dá pra mudar o futuro sentindo raiva do presente.
No dia da virada, pule 7 ondinhas e coma 12 uvas. Use roupa branca e beba espumante, mas não se esqueça: jamais haverá ano novo se você continuar repetindo os erros dos anos velhos.
Ressurreição
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Passei por muita coisa na vida e agora penso que encontrei o que é necessário para a felicidade. Uma vida tranquila e isolada no campo, com a possibilidade de ser útil à gente para quem é fácil fazer o bem e que não está acostumada que o façam; depois trabalhar em algo que se espera ter alguma utilidade; depois descanso, natureza, livros, música, amor pelo próximo – essa é a minha idéia de felicidade. E depois, no topo de tudo isso, você como companheira, e filhos talvez – o que mais pode o coração de um homem desejar?
– Leon Tolstói
O trecho é do livro Ressurreição, do escritor russo Liev Tolstói, que ficou conhecido pelos romances “Guerra e Paz” e “Anna Karenina”.
Na passagem citada, ele revela uma visão profunda de busca por uma felicidade simples, longe das pressões e do tumulto da cidade.
Em tempos de TikTok, Instagram e metas de final de ano, a gente fica cada vez mais distante dessa “vida simples”. A gente passa o dia inteiro rolando o feed — e esquecemos de viver o “aqui e agora”.
A gente se compara à fulana que está mais magra, ao ciclano que está mais bem sucedido, e ao beltrano que viajou pra 10 países diferentes no último ano.
A gente cria uma lista de metas e desejos, colocamos o ideal de vida do outro como uma necessidade nossa, e esquecemos de nos perguntar: “será que essa vida está me fazendo feliz?”
Para Tolstói, depois de passar por muitos sofrimentos e reflexões, a felicidade seria uma síntese de valores, buscando paz e harmonia com a natureza.
Trabalhar em algo útil, que tenha valor para os outros, reflete uma visão de vida em que a utilidade prática se alinha à realização pessoal. O trabalho aqui não é visto como uma obrigação árida, mas como uma forma de contribuição significativa para a comunidade, algo que traz satisfação e significado.
O descanso, a natureza, os livros e a música também indicam uma vida rica em cultura e reflexão, em que o tempo para a contemplação e a introspecção são fundamentais.
Por fim, ao falar da presença do amor e dos filhos, ele indica o desejo de compartilhar essa vida de simplicidade e beleza com os outros. Afinal, como já dizia Tom Jobim, “é impossível ser feliz sozinho”.
É claro que isso não é um chamado pra você abrir mão de tudo e ir morar no campo, mas um lembrete de que a felicidade se esconde nos gestos mais sutis, na suavidade do cotidiano que muitas vezes passa despercebido.
Pra ser feliz, você não precisa ter o corpo dos sonhos, o carro do ano ou ser um empresário de sucesso.
No final das contas, a felicidade é uma paz sem alarde, um contentamento que não exige mais do que o presente. Não está nas grandes conquistas, mas nos pequenos detalhes do dia a dia.
Finalizando com as palavras da Martha Medeiros, “faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade.”
No meio do caminho
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No meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho tinha uma pedra no meio do caminho tinha uma pedra
Nunca me esquecerei desse acontecimento na vida de minhas retinas tão fatigadas. Nunca me esquecerei que no meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho no meio do caminho tinha uma pedra
Carlos Drummond de Andrade
Assim que publicado, o poema No Meio do Caminho foi profundamente criticado pela sua simplicidade e repetição.
Porém, com o passar do tempo, ele foi compreendido pelo público — até virar um cartão postal da obra de Carlos Drummond de Andrade.
Inclusive, uma das teorias sobre a origem do poema remonta para a própria biografia do autor.
Drummond se casou em 26 de fevereiro de 1926, com Dolores Dutra Morais. Um ano depois, nasceu o primeiro filho do casal, Carlos Flávio, que sobreviveu apenas por meia hora.
O poema No Meio do Caminho foi o primeiro que ele publicou depois da tragédia, tornando-se uma espécie de “túmulo” para o seu filho — bem como uma lição sobre como ele processou o luto.
As pedras no caminho, então, podem ser os obstáculos ou problemas que a gente inevitavelmente encontra na vida.
Inclusive, a repetição dos versos mostra que esses problemas nunca deixam de existir. Porque mesmo quando a gente tira a pedra do caminho, é só andar mais um pouco que logo aparece outra.
E ainda que seja difícil, em uma relação amorosa ou em qualquer outro âmbito da vida, a gente só anda pra frente quando reconhece — e aceita — a existência dos obstáculos.
Em algum momento, a visão se turva, o passo vacila e surge algo inesperado. É no desvio que a vida nos mostra a sua face mais profunda: o que não estava no roteiro, o que não se via ao longe, mas que se revela na surpresa do encontro.
Continuar o percurso é perceber que não importa tanto onde estamos indo, mas o que somos capazes de aprender enquanto caminhamos.
Finalizando com as palavras da Lygia Fagundes Telles, “a distância mais curta entre dois pontos pode ser a linha reta, mas é nos caminhos curvos que se encontram as melhores coisas da vida.”
A morte do ego
A experiência amorosa exige sacrifícios. Não se ama pra ser recompensado. O amor é a própria recompensa. O amor é a morte do ego.
Adélia Prado
Os versos acima são de autoria da Adélia Prado, que é considerada a maior poetisa viva do Brasil — e, recentemente, foi a vencedora dos prêmios Camões e Machado de Assis.
Ao dizer que a experiência amorosa exige sacrifício, a autora segue a ideia de que não há amor fácil.
Porque ainda que o amor seja “remédio contra a loucura”, coisa que Guimarães Rosa já ensinou, ele é também uma experiência exigente. Que demanda entrega, compromisso e dedicação.
E esses sacrifícios não são apenas grandes gestos, mas também pequenas renúncias cotidianas, como a paciência, a compreensão e até a capacidade de ceder ou perdoar.
Não se trata de anulação ou subserviência, mas da morte do ego. Ninguém faz cara feia quando se sacrifica por amor, porque desse “sacrifício” nasce a mais perfeita alegria.
Nesse mesmo sentido, no texto “Ostra feliz não faz pérola”, Rubem Alvez diz que a ostra, para fazer uma pérola, precisa ter dentro de si um grão de areia que a faça sofrer.
Mas antes que você pense que isso significa insistir no sofrimento, é bom lembrar que o autor especificou que “não é preciso que seja uma dor doída”.
Para amar de maneira genuína, é preciso transcender a visão limitada e egoísta de si mesmo, colocando-se no lugar do outro, reconhecendo-o como sujeito com suas próprias necessidades, desejos e fragilidades.
O amor, portanto, não é algo que serve ao ego, mas algo que nos permite superar a nossa individualidade estreita para nos conectar ao outro de maneira ampla e profunda.
Finalizando com as palavras de Antoine de Saint-Exupéry, “o amor verdadeiro começa lá onde não se espera mais nada em troca.”
Akai Ito
Um fio invisível conecta os que estão destinados a conhecer-se, independentemente do tempo, lugar ou circunstância, o fio pode esticar ou emaranhar-se, mas nunca irá partir.
Provérbio japonês
Antes de tudo, quero deixar claro que acredito plenamente nesta lenda e que escrever sobre ela me emocionou imensamente…
Niceana Alves
Akai Ito é uma lenda oriental que afirma que quando uma pessoa é destinada a outra, ambas têm um fio vermelho que as ligam.
Segundo a crença, quanto maior e emaranhada for a linha, mais distante e doloroso será o encontro.
Sua origem japonesa conta uma história um tanto bizarra. Segundo ela, um rapaz caminhava pela rua quando um idoso o abordou, dizendo que ele “precisava encontrar a sua mulher.”
O jovem respondeu rispidamente que “não iria se casar”, e o idoso disse que ele “se casaria com uma mulher com a qual ele estava amarrado por um fio vermelho pelo dedo mindinho”.
Neste momento, o menino viu o fio que seguia até o outro lado da rua, onde uma jovem estava sentada. Revoltado, ele arremessou uma pedra em sua direção, ferindo o seu rosto.
Anos mais tarde, ele cresceu e não tinha interesse em nenhuma mulher da sua aldeia. Até que, em uma noite qualquer, ele se apaixonou por uma silhueta feminina que viu em uma rua escura.
A mulher era uma pessoa reclusa, que tinha vergonha do seu rosto. Ainda assim, ele se casou com ela.
Após a cerimônia do casamento, ele perguntou à esposa por que ela tinha vergonha da sua face, ao que ela respondeu que, quando criança, um rapaz tinha a ferido com uma pedra.
A história é mórbida e bizarra, mas é só mais uma entre tantas outras que procuram explicar a sensação de afinidade instantânea quando conhecemos alguém.
Tem gente que chama isso de destino e acredita que “o que é pra ser tem muita força”. Outras crenças falam sobre vidas passadas. Já o compositor Peninha fala de “carne e unha”, “alma gêmea” e “metade da laranja”.
Também há quem diga que isso tudo é bobagem, reforçando que tomar decisões é a única forma de prever o futuro.
Mas ainda que você não acredite em nenhuma força sobrenatural, já parou pra pensar como pequenas coincidências acabam mudando totalmente o nosso destino?
Você pode ter escolhido casar-se com o José ou com a Maria, mas não foi “sem querer” que o Uber demorou pra chegar e vocês começaram a conversar?
Citando Bukowski, “o amor é uma espécie de preconceito. Como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse?”
Não sabemos, mas talvez a resposta esteja na falta de explicação. Seja por um fio invisível, uma troca de olhares ou outra coincidência qualquer, “não é tolo dizer que o amor é sagrado”.
Eu sei que vou te amar
Eu sei que vou te amar Por toda a minha vida eu vou te amar Em cada despedida eu vou te amar Desesperadamente eu sei que vou te amar
E cada verso meu será Pra te dizer Que eu sei que vou te amar Por toda minha vida
Eu sei que vou chorar A cada ausência tua eu vou chorar Mas cada volta tua há de apagar O que esta ausência tua me causou
Eu sei que vou sofrer A eterna desventura de viver A espera de viver ao lado teu Por toda a minha vida
Eu sei que vou sofrer A eterna desventura de viver A espera de viver ao lado teu Por toda a minha vida
A música “Eu Sei Que Vou Te Amar”, composta por Antônio Carlos Jobim e com letra de Vinicius de Moraes, é uma das mais emblemáticas da música popular brasileira.
Com a repetição da frase eu sei que vou te amar, ela expressa uma promessa de amor eterno e incondicional.
E ainda dizendo eu sei que vou chorar e eu sei que vou sofrer, ela revela a vulnerabilidade de quem ama, a consciência de que o amor também traz consigo uma possibilidade de sofrimento.
A letra também reconhece as inevitáveis despedidas e separações da vida, e traz uma esperança agridoce: cada volta volta tua há de apagar o que esta tua ausência me causou.
Na mesma linha, Nelson Rodrigues dizia que todo amor é eterno e, se acaba, não era amor. Já Eça de Queirós afirmava que o amor eterno é o amor impossível. Os amores possíveis começam a morrer no dia em que se concretizam.
Mas será que existe amor eterno? Será que tem como amar sem sofrer? E será que o amor deve ser mesmo incondicional?
Fernando Pessoa acreditava que o amor romântico é como um traje, que, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e, em breve, sob a veste do ideal que formamos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em que o vestimos.
Tá, o amor pode até se desgastar, mas ele também se renova. Afinal, nas oficinas da alma, sempre dá pra tecer novos trajes.
Seja reconstruindo uma relação ou reconhecendo que está na hora de ir embora. Perdoando o antigo ou se abrindo para o novo, por toda a nossa vida há tempo de amar.
Finalizando com Jorge Amado, o amor eterno não existe. Mesmo a mais forte paixão tem o seu tempo de vida. Chega seu dia, se acaba, nasce outro amor. Por isso mesmo o amor é eterno. Porque se renova.
Se eu gosto de poesia?
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Se eu gosto de poesia? Gosto de gente, bichos, plantas, lugares, chocolate, vinho, papos amenos, amizade, amor. Acho que a poesia está contida nisso tudo
Carlos Drummond de Andrade
Essa citação é atribuída ao poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade, mas a sua autoria nunca foi formalmente confirmada.
De qualquer forma, a frase expressa exatamente a essência do trabalho do autor, que sempre encontrou a beleza nas coisas mínimas do dia a dia.
Drummond era um mestre em captar as nuances da vida, mostrando que a poesia não se restringe a versos formais. Na verdade, essa forma de arte, pra ele, é uma atitude diante do mundo.
Da mesma forma, o jornalista Will Gompertz afirma que os detalhes do cotidiano passam despercebidos pelos nosso olhos. Mas não para os artistas.
Porque quem pinta um quadro ou escreve uma poesia precisa aprender a desaprender. Deixar o tédio de lado, e observar cada detalhe do cotidiano como se fosse a primeira — e não a enésima vez.
Assim, ler os versos de Vinicius de Moraes ou apreciar os quadros de Monet não seria apenas uma lição sobre a arte. E sim uma lição sobre a vida.
Pra quem tem um olhar atento, a poesia está sempre perto. Seja nas pessoas que amamos ou no vinho que compartilhamos. Nos bichos, plantas, lugares, papos amenos, amizade e amor.
A poesia é uma atitude de abertura pra vida, de enxergar beleza no comum, no simples, no efêmero.
Ser poeta é ouvir as pessoas com atenção. É olhar pro céu e observar o movimento da rua. É abrir um vinho em um dia especial e perceber que a arte não precisa ser algo separado da vida. Ela está em tudo, basta saber olhar.
Minha Gente
Não gosto desse passarinho. Não gosto de violão. Não gosto de nada que põe saudades na gente.
Guimarães Rosa
A frase é do conto Minha Gente, do livro Sagarana, de Guimarães Rosa.
O conto estrutura-se como uma espécie de paródia, meio sentimental e meio irônica, das histórias de amor com final feliz.
Na frase destacada, o narrador parece desprezar aquilo que um dia já lhe trouxe felicidade. Ao dizer que “não gosta desse passarinho e não gosta de violão” seu desgosto está focado em outra coisa.
Tanto que, logo depois, ele afirma que “não gosta de nada que põe saudade na gente”. Ou seja, o problema do passarinho e do violão são as lembranças que vêm junto com eles.
Mas por que será que dói tanto lembrar? Será que era melhor não ter vivido nada daquilo que se acabou? Será que só dá pra viver o presente apagando as memórias do passado?
Contrariando essa ideia, Peninha diz que “saudade é melhor do que caminhar vazio”, preferindo as lembranças do que a falta de vida.
Mario Quintana afirma que “a saudade é o que faz as coisas pararem no tempo” e Cecília Meirelles nos lembra que os nossos dias são feitos “de pequenos desejos, vagarosas saudades, silenciosas lembranças.”
E aí, a gente pensa no Carlos Drummond de Andrade e deixa de lastimar a falta. Porque não existe falta na ausência — “a ausência é um estar em mim. E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços.”
A gente começa a gostar do passarinho. E a gostar do violão. E a gostar de tudo que põe saudade na gente.
A gente abraça o passado, para poder viver plenamente o agora. Porque o agora é tudo que temos. E se não o aproveitamos de todo, vivemos com saudade do presente.
O Tempo
A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo… Quando se vê, já é 6ª-feira… Quando se vê, passaram 60 anos! Agora, é tarde demais para ser reprovado… E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade, eu nem olhava o relógio seguia sempre em frente…
E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.
Conhecido popularmente como “O Tempo”, o poema do Mario Quintana tem como título original “Seiscentos e Sessenta e Seis”, e foi escrito quando o autor já estava com 74 anos.
Assim, através dele, o famoso “poeta das coisas simples” conseguiu mostrar uma visão sábia e madura sobre a vida.
Com exemplos cotidianos — como a hora que passa voando ou a semana que nem vemos passar —, Mario Quintana escancara uma das únicas certezas da vida: a passagem do tempo é inevitável.
Como já dizia Fernando Pessoa, “o próprio viver é morrer, porque não temos um dia a mais na nossa vida que não tenhamos, nisso, um dia a menos nela.”
E é claro que a gente sabe que os dias passam, mas quantas vezes deixamos um abraço para amanhã, aquela ligação para a semana que vem, e a mudança de emprego para o próximo ano?
Nós reclamamos que o tempo voa, mas continuamos vivendo com a certeza de que o futuro estará sempre nos esperando.
Mas e se amanhã for tarde demais pra um abraço? E se depois de amanhã aquela pessoa receber outra ligação? E se alguém ocupar o lugar no emprego que você tanto sonhou?
Seguindo a verdade inescapável de Mario Quintana, é impossível parar a vida. Mas, como também não dá pra viver correndo, é bom lembrar de José Saramago: não tenhamos pressa, mas não percamos tempo.
O Livro do Desassossego
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Nunca amamos alguém. Amamos, tão-somente, a idéia que fazemos de alguém. É um conceito nosso – em suma, é a nós mesmos – que amamos. Isto é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma idéia nossa.(…) As relações entre uma alma e outra, através de coisas tão incertas e divergentes como as palavras comuns e os gestos que se empreendem, são matéria de estranha complexidade. No próprio ato em que nos conhecemos, nos desconhecemos. Dizem os dois ‘amo-te’ ou pensam-no e sentem-no por troca, e cada uma quer dizer uma idéia diferente, uma vida diferente, até, porventura, uma cor ou um aroma diferente, na soma abstracta de impressões que constiui a atividade da alma.
A citação faz parte do “O Livro do Desassossego”, escrito por Fernando Pessoa sob o heterônimo Bernardo Soares.
Publicado postumamente, o livro é uma coleção de fragmentos, pensamentos e reflexões que exploram a condição humana, a solidão, a busca de sentido e a angústia existencial.
Abordando também a amizade, a arte e o amor, “O Livro do Desassossego” é um convite a pensar sobre a complexidade dos sentimentos humanos.
No trecho destacado, Pessoa sugere que amamos a ideia que construímos de outra pessoa, não a pessoa em si. Amamos as nossas projeções e idealizações. Ou seja, é a nós mesmos que amamos.
Seguindo a mesma linha, a psicanalista Ana Suy diz que “sempre amamos sozinhos, pois cada um ama a seu próprio modo, cada um ama com sua história, com seu sintoma, com seus perrengues transgeracionais”.
Esse raciocínio vai contra a ideia de que o sentimento é ou não recíproco, sugerindo que, na verdade, o amor é unilateral.
Mas e aquele casal que está junto há mais de 50 anos? E aquela amizade de infância que sempre foi baseada em trocas generosas? E aquele relacionamento sólido que você jura ser recíproco?
Nesses casos, o que pode existir, são dois amores. Cada qual do seu jeito. E da sua forma.
Porque como Fernando Pessoa bem disse, “dizem os dois ‘amo-te’ ou pensam-no e sentem-no por troca, e cada uma quer dizer uma idéia diferente, uma vida diferente, até, porventura, uma cor ou um aroma diferente, na soma abstracta de impressões que constiui a atividade da alma”.
Ainda que o outro seja totalmente claro em relação aos seus sentimentos, nós jamais saberemos se a sua concepção de amor é equivalente à nossa.
Mesmo quando tentamos nos conectar, há uma parte do outro que nunca podemos alcançar totalmente. E como o ato de se conhecer implica em desconhecimento, o coração alheio será sempre um mistério.
E ainda que muitos sintam um aperto no peito ao ler isso, saber que o amor é solitário é também libertador. No final do dia, não é a garantia de reciprocidade que vai te preencher, mas a simples capacidade de amar.
O Encontro Marcado
Imagem: Une femme et une femme
De tudo, ficaram três coisas: a certeza de que ele estava sempre começando, a certeza de que era preciso continuar e a certeza de que seria interrompido antes de terminar. Fazer da interrupção um caminho novo. Fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro.
Esse trecho foi retirado do livro “O Encontro Marcado”, do Fernando Sabino, e reflete uma profunda meditação sobre a vida e a maneira como enfrentamos seus desafios.
Quando fala sobre a certeza de que estava sempre começando, Sabino aborda a natureza inacabada da vida.
Porque mesmo quando a gente pensa que está tudo resolvido, na verdade, o recomeço é constante. Até na mesma relação e no mesmo emprego. Todo dia é dia de recomeçar.
E como já dizia Caio Fernando de Abreu, recomeçar é doloroso. Faz-se necessário investigar novas verdades, adequar novos valores e conceitos. Não cabe reconstruir duas vezes a mesma vida numa só existência.
Mas Fernando Sabino tem um pensamento mais otimista, e lembra que dá pra fazer da interrupção um caminho novo. Fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro.
É porque mesmo quando a gente programa tudo, a vida olha para os nossos planos e dá risada.
A vida dá risada porque sabe que a gente não controla quase nada. Mas ela também sorri e acolhe, mostrando que ser surpreendido no caminho pode ser uma grande benção.
E pra quem tem medo de mudança, Tolstói lembra que para se viver com honra, é preciso consumir-se, perturbar-se, lutar, errar, recomeçar do início e perder e ganhar eternamente. A calma é uma covardia da alma.
Faça planos, mas abrace as incertezas do caminho. Na dança dos ciclos, desfazem-se os medos e os erros se tornam aprendizados. O que foi já não pesa, e o agora é um convite pro recomeço.
Loucura de Amor
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“Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura.“
Friedrich Nietzsche
A frase acima foi dita por Friedrich Nietzsche em seu livro “Assim Falou Zaratustra”, um dos trabalhos filosóficos mais lidos e influentes de todos os tempos.
Um dos motivos da extraordinária relevância da obra é o seu caráter híbrido, que une filosofia, religião e literatura de maneira complexa e atraente.
Nietzsche sempre foi conhecido por fazer questionamentos e ter uma “alma rebelde”, que demonstra a sua intensidade ao dizer que “há sempre alguma loucura no amor”.
Até porque o amor é, por si só, a nossa maior demência. A nossa maior fragilidade. Que pode nos levar ao estado agudo de felicidade da Clarice Lispector ou ao vício pela tristeza de Gustave Flaubert.
Só mesmo um louco consegue amar sabendo que o sentimento pode te levar à Lua ou ao fundo do poço. Só mesmo um inconsequente para se deixar levar por uma condição que te faz perder o controle.
“Mas há sempre um pouco de razão na loucura” porque ainda que esse amor quebre a barreira da sanidade, é preciso sabedoria pra seguir em frente.
Viver um amor que te mata não é ser louco, e sim suicida. Viver um amor que te aprisiona não é ser intenso, e sim se tornar prisioneiro de um sentimento que era pra te dar asas.
Depois de algumas experiências, a gente percebe que só o amor não basta. Então, talvez, a maturidade determine quem poderá ser alvo desse amor.
Mas, ainda com toda essa sabedoria, é impossível viver um amor de forma totalmente racional. Se for pra amar, que seja pra calar o juízo — e deixar a razão em sobreaviso.
Em vez de tentar guardar a loucura na gaveta, aceite o que não tem explicação. Como já dizia Clarice Lispector, não entender é tão vasto que ultrapassa qualquer entendimento. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras.
Suíte Tóquio
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“Empregada conhece a intimidade das pessoas, suas calcinhas e cuecas do avesso, por isso sei que dizer eu te amo não é pra qualquer um. Tem homem que passa a vida sem dizer para o filho. Tem mulher que passa a vida sem dizer para o marido. E tem pessoas como a Neide que dizem pra todo mundo. Eu achei um absurdo quando nos conhecemos, uma coisa de sirigaita, dizer isso pra todo mundo. Até que eu comecei a reparar como a Neide era feliz, como o Lauro era feliz, e que talvez fossem felizes porque amavam mais, e talvez amassem mais porque falavam mais eu te amo. Como alguém me disse uma vez, a fome vem ao comer. Quem sabe o amor também venha ao amar”.
O trecho é do livro “Suíte Tóquio”, da escritora paranaense Giovana Madalosso, um dos grandes novos nomes da literatura brasileira.
Antes de chegar nesta passagem, a personagem Maju diz que era como se o amor fosse uma coisa delicada demais, uma caixa de bombom com papel de seda que só algumas mãos podiam abrir.
Assim ela conta que nunca tinha falado eu te amo pra sua avó, mas sabe que sentiram um amor forte uma pela outra em seus 15 anos de convivência.
E aí, quando chegou o Lauro — dizendo eu te amo logo de cara —, Maju ficou sem saber o que fazer. Com um receio de dar a ele a frase que nunca tinha dito nem pra sua avó.
Mas será que o amor é mesmo um privilégio? Será que ele se gasta com o tempo e com a repetição? Será que o amor só acontece uma vez na vida? Será que é preciso dizer eu te amo pra amar?
Indo contra essa ideia, Antoine de Saint-Exupéry afirmava que o verdadeiro amor nunca se desgasta. Quanto mais se dá mais se tem.
Já Fabrício Carpinejar dizia que sempre antecipamos o “eu te amo”, depois só amamos por teimosia, para provar que era verdade.
E talvez seja por esse receio que a gente estranha quem demonstra amor com tanta facilidade. Que a gente julga pessoas como a Neide, que dizem eu te amo pra todo mundo.
Mas Fernando Pessoa lembra que o amor é dado de graça, é semeado no vento, na cachoeira, no eclipse. Ainda assim, há quem diga que é fácil dizer eu te amo, o difícil é amar de verdade.
Se expressando com as palavras ou usando as outras linguagens do amor, talvez o Lauro e a Neide realmente fossem mais felizes porque amavam mais. Se a fome vem ao comer, quem sabe o amor também venha ao amar.
Nuvem Cigana
Se você quiser, eu danço com você No pó da estrada, pó, poeira, ventania Se você soltar o pé na estrada, pó, poeira Eu danço com você o que você dançar
Se você deixar o sol bater nos seus cabelos verdes Sol, sereno, ouro e prata, sai e vem comigo Sol, semente, madrugada Eu vivo em qualquer parte de seu coração
Se você deixar o coração bater sem medo Se você deixar o coração bater sem medo Se você deixar o coração bater sem medo
Se você quiser, eu danço com você Meu nome é nuvem, pó, poeira, movimento O meu nome é nuvem, ventania, flor de vento Eu danço com você o que você dançar
Se você deixar o coração bater sem medo Se você deixar o coração bater sem medo Se você deixar o coração bater sem medo
A música “Nuvem Cigana”, interpretada por Milton Nascimento, tem uma letra simples e marcante, que transmite uma sensação de liberdade e leveza.
Ao dizer “eu danço com você, no pó da estrada, pó, poeira, ventania“, o cantor convida o ouvinte a se entregar a uma dança livre e descompromissada.
Soltando o pé da estrada, embarcando em uma jornada sem amarras e cheia de possibilidades. Como uma nuvem cigana, que está em constante movimento e adaptação, sem destino fixo.
Assim, com sua habilidade de tecer metáforas e criar imagens vívidas, Milton Nascimento nos convida pra dança da vida, aceitando suas mudanças e desafios de peito aberto.
E assim como na dança, cada passo, giro e movimento é uma manifestação de emoção, o amor também se revela nas sutilezas do cotidiano, nas trocas de olhares e no toque que arrepia.
Viajando ainda mais na metáfora, um relacionamento é como uma dança: onde os parceiros devem estar em sintonia, respeitando o espaço um do outro e, ao mesmo tempo, se entregando à conexão.
No amor, é preciso entender o tempo do outro, antecipar os movimentos e se adaptar às mudanças de passo.
Mas também é necessário se libertar, deixar de lado as preocupações e se entregar ao momento. Pra relação fluir, é preciso um toque de loucura, que nos faz perder a noção do tempo e se levar pela música.
Por fim, a gente celebra e deixa o coração bater sem medo. Citando, novamente, Milton Nascimento, é preciso ter manha, é preciso ter graça, é preciso ter sonho sempre. Quem traz na pele essa marca possui a estranha mania de ter fé na vida.