Categorias
CASE

A empresa por trás do prato que toda casa de vó tinha

É difícil achar quem nunca teve alguma experiência com este tão simples prato — conhecido por nunca quebrar. Inclusive, não seria nenhum exagero se ele virasse patrimônio histórico cultural brasileiro.

O que poucos sabem é que a empresa por trás da marca Duralex, a Saint-Gobain, surgiu na França em 1945, no pós-Segunda Guerra Mundial.

Naquela situação, com muitas famílias quebradas ou em difíceis condições financeiras, vender louças baratas, diferente das famosas louças de porcelana da época, virou a receita do sucesso.

Se você achou algo estranho na imagem, foi provavelmente a cor. Inicialmente, as louças Duralex eram coloridas e, mesmo já tendo esse nome, eram mais frágeis.

Os moldes e a cor que conhecemos só viriam algum tempo depois, nos anos 70. Com a população passando a buscar ainda mais por produtos com durabilidade, a Duralex criou algo até então inédito para louças…

Desenhou sua linha com uma fórmula baseada no vidro usado em frascos de remédio, que é quase literalmente inquebrável.

A vinda para o Brasil
Só alguns anos depois, em 1980, os produtos chegaram por aqui, sendo lançados pela empresa Santa Marina. Além do icônico prato, o pirex e o marinex eram um sucesso total entre as chefes de família.

De maneira geral, o produto mirava as classes média e baixa, considerando seu preço mais acessível, além da própria durabilidade — os vidros temperados das louças eram 2,5x mais resistentes do que vidro comum.

Os produtos da marca continuaram dominando o mercado nacional na década de 90, mas, no início do novo milênio a empresa foi sumindo da casa dos brasileiros.

Acontece que, quem gostava dos pratos não precisava comprar outros, enquanto isso, as novas gerações de famílias passaram a optar por comprar itens feitos de outros materiais, como porcelana ou até mesmo plástico.

Corta para 2011, a operação nacional da empresa foi comprada pela Nadir Figueiredo, uma das líderes na fabricação de produtos de vidro no Brasil, e, no ano seguinte, deixou de fabricar sua linha de pratos marrons.

Hoje, a Duralex segue ativa por aqui com seus modelos nas cores transparente e azul. Mas, como o vintage se tornou cool, algumas pessoas têm cobrado valores exorbitantes por um conjunto clássico de 20 peças.

Já sua operação global…
Após perder 60% do faturamento por conta da queda das exportações no início da pandemia, a companhia pediu recuperação judicial em 2020 e, no começo de 21, foi adquirida pela International Cookware, dona Pyrex, por US$ 4,2 milhões.

Atualmente, um dos principais produtos da Duralex são os copos Picardie, muito presente em bares, restaurantes e cafeterias. Veja aqui.

Categorias
CASE

O movimento de Bezos que tirou a Amazon da quase falência

Hoje, Jeff Bezos e Amazon são mais do que exaltados por onde passam. A BIG TECH está entre as 5 maiores empresas do planeta, valendo mais de US$ 2 trilhões — literalmente no mesmo patamar que o PIB do Brasil inteiro.

Acontece que nem sempre foi assim… Mesmo quando já tinha tamanho e relevância, a Amazon passou por um período complicado, chegando literalmente à beira da falência, mesmo sendo consideravelmente conhecida nos EUA.

O ano era 2001
A Amazon estava implodindo
. US$ 1,4 bilhão perdido. 1.300 funcionários demitidos. Pela projeção dos economics da empresa, já havia projeções de que faltavam só algumas semanas para ela chegar ao nível de falência.

Para se ter uma ideia, as ações da empresa caíram um total de 90%, com Wall Street chamando a empresa de “Amazon.bomb”.

Primeiro trimestre: prejuízo de US$ 234 milhões

Segundo trimestre: prejuízo de US$ 168 milhões

Terceiro trimestre: prejuízo de US$ 170 milhões

Literalmente isso significa que a cada dia que a Amazon operava, ela estava perdendo 1 milhão de dólares. Mas Bezos tinha um plano: a decisão mais controversa da história da Amazon.

Em vez de tentar proteger sua marca, ele abriria a plataforma da Amazon para seus concorrentes. Isso significava que outros varejistas agora poderiam vender diretamente na Amazon.

Todos achavam que ele era literalmente louco. “Eles estão diluindo sua marca!” “Isso destruirá a reputação deles!” “Eles estão abrindo mão do controle!”

Mas Bezos viu algo que ninguém mais viu: o futuro do varejo não era sobre possuir estoque. Era sobre obter a relação com o cliente. A estratégia era a seguinte:

  • Deixar seus competidores lidarem com custos de estoque e inventário;
  • Pegar uma pequena parte da venda deles;
  • Usar os produtos deles para atrair cada vez mais clientes;
  • Reinvestir a receita em melhoramento do serviço/atendimento;

Cada fator impulsionava o outro e já gerava uma máquina inteligente de growth com bem menos esforço do que uma “varejista comum”. Mas isso ainda não era o suficiente para Bezos… Ele ainda fez mais dois movimentos cruciais:

  • Corte de custos agressivo, fechando a maioria dos armazéns próprios;
  • Renegociação de todo contrato de logística;

Na época, os críticos diziam que isso destruiria a qualidade do serviço ao cliente. Mas eles estavam errados…

Focando na eficiência operacional e, tanto quanto, na experiência do cliente, a Amazon provou que o impossível era possível: no quarto trimestre de 2001, a empresa teve o seu primeiro lucro — US$ 5 milhões.

Mesmo que pareça pouco comparando aos prejuízos anteriores, o resultado, mais do que tudo, mostrava que o modelo da Amazon poderia, sim, funcionar e gerar resultado em números. Agora, é fácil entender. Mas, na época, isso surpreendeu Wall Street.

Takeaway

Na prática, Jeff Bezos se recusou a escolher crescimento OU eficiência. Ele queria os dois. E conseguiu. Mesmo tendo sido muito refutado e contestado por pessoas de todos os lugares — principalmente investidores.

Não é à toa que ele tem a famosa frase “We are willing to be misunderstood for long periods of time.”

Ele não estava pensando em gerar receita no próximo trimestre, mas para construir uma BIG CORP para as próximas décadas.

Tanto que a estratégia “controversa” de dar espaço para seus até então concorrentes venderem pela sua plataforma passou a representar nada menos que 51% das vendas de varejo da Amazon em 2019-2020.

Hoje, esse percentual reduziu para 40% muito pelo avanço de outras linhas de receita da companhia, como subscription, computação em nuvem, etc.

Categorias
CASE

Spotify desafia reinado do YouTube

Durante anos, o YouTube foi o rei indiscutível dos vídeos online, especialmente quando se trata de conteúdo de longa duração. Mas, recentemente, o Spotify lançou algumas mudanças que podem desafiar o seu trono.

No dia 13/11, a empresa anunciou o “Spotify for Creators”, programa que vai permitir aos creators ganhar dinheiro baseado em quantas visualizações acumulam em seus podcasts em vídeo na plataforma.

Anteriormente, os videocasts só podiam ser monetizados por meio de anúncios veiculados em seus programas.

Segundo a gigante sueca, essa é “a maior atualização de podcasts no Spotify de todos os tempos”. No entanto, o movimento pode ser considerado como uma evolução calculada de uma empresa que tem investido muito no meio nos últimos anos.

Tudo começou em 2015…
Em maio daquele ano, a empresa lançou uma nova versão que pela 1ª vez incluiria podcasts. No entanto, foi somente em 2019 que ela anunciou que iria realmente investir para crescer essa vertical. E assim o fez:

  • Em fevereiro, comprou a Gimlet Media e a Anchor FM por cerca de US$ 340 milhões;
  • Dois meses depois, desembolsou US$ 56 milhões pelo estúdio Parcast.

Com essas compras, a empresa não só passou a ter mais conteúdo como também uma plataforma que auxiliaria criadores de conteúdo a gravar, publicar e monetizar seus podcasts.

No ano seguinte, com uma estratégia focada em conteúdo segmentado, pagou US$ 250M pelo The Ringer, rede com mais de 30 podcasts que, à época, acumulavam mais de 100 milhões de downloads por mês.

Além disso, também em 2020, foi a vez da Megaphone, plataforma de hospedagem de áudio e tecnologia de publicidade, pela qual desembolsou US$ 235 milhões.

O primeiro ano da pandemia também marcou o início de uma onda de contratos multimilionários de exclusividade com personalidades, liderados por Joe Rogan.

Ainda assim, o ano de 2020 também foi quando o Spotify introduziu podcasts de vídeo para um número selecionado de programas, seguidos por um lançamento maior em 2021.

Corta para 2024 🎞️
Mais de 250 milhões de usuários deram play em video podcasts na plataforma, e a base de usuários desse tipo de conteúdo explodiu, crescendo mais de 60% ano após ano.

Atualmente, mais de 1 em cada 3 usuários de podcast nos EUA engajam com vídeo, e a biblioteca do Spotify já inclui mais de 300.000 de videocasts.

Agora, além de uma plataforma que contará com análises e formas de se conectar com a audiência, os creators poderão se inscrever em um sistema de monetização de dois níveis:

  • Um deles será vinculado às visualizações de videocasts por parte dos assinantes Premium — que não verão mais anúncios;
  • Já o outro será vinculado a anúncios para todos os outros assinantes.

Assim, fica difícil não o comparar com o YouTube, já que as duas maiores plataformas de podcast do mundo estão abordando os podcasts em vídeo em direções opostas.

  • A empresa do Google funciona com descoberta apoiada por anúncios, na qual o objetivo é atrair e prender a atenção em cada vídeo, mas tendo em mente que os cliques são fundamentais. Logo, como creator, a principal questão é: “Posso fazer você clicar depois de já estar assistindo ao vídeo?”
  • Já no Spotify, como 87% de sua receita vem dos assinantes premium, a pergunta muda para: “Você continuará voltando?”. Não se trata de vitória rápida, mas de construir um relacionamento estável com o público, episódio a episódio.

Looking forward: A mudança da gigante sueca é ambiciosa. Se funcionar, pode significar receitas mais estáveis ​​para os criadores que priorizam a profundidade em vez do alcance.

Fora isso, com os criadores de conteúdo buscando constantemente novas maneiras de alcançar o público, a nova iniciativa do Spotify pode marcar o início de uma nova era na competição entre plataformas.

Categorias
CASE

Low-cost: O modelo que chacoalhou o setor aéreo

Imagem: MarketWatch

A indústria aérea nunca foi tão grande como nos dias atuais: provável receita total de US$ 964 bilhões em 2024. O interessante é que boa parte disso vem do aumento das cias aéreas de baixo custo. Os números não mentem…

  • Em 2019, essas empresas transportaram cerca de 1,4 bilhão de passageiros ao redor do globo aproximadamente 31% do total.
  • Hoje, as low-cost carriers (LCCs) operam 30% de todos os voos regulares.

Ainda assim, muitos se perguntam como essas companhias conseguem oferecer preços tão acessíveis.

Senta que lá vem história 🛋
Em 1949, a americana Pacific Southwest Airlines implementou pela primeira vez o modelo de negócios de baixo custo.

Imagem: CNBC

Nos anos 70, esse modelo foi aperfeiçoado pela Southwest Airlines, que oferecia viagens baratas entre várias cidades do Texas.

Entre 1980 e 2000, a indústria aérea low-cost registrou um crescimento acelerado no mundo, consequência de uma classe média com um poder aquisitivo cada vez maior, mas ainda preocupada com o orçamento. Com isso, foram surgindo mais players:

🇲🇾🇮🇳 Ásia: AirAsia e IndiGo;

🇺🇸 EUA: Spirit Airlines, Allegiant e Frontier;

🇬🇧🇮🇪🇭🇺 Europa: Easyjet, Ryanair e Wizz Air.

Imagem: Simple Flying | Aero Icarus

Como funcionam as LCCs?
Em primeiro lugar, para poder oferecer passagens com custos baixos, essas companhias aéreas precisam limitar as regalias oferecidas — nada de internet, nem entretenimento a bordo.

Outra prática comum nas LCCs é o “unbundling”, disponibilizando tarifas baratas, mas cobrando por complementos como seleção de assento e despacho de bagagem — que, somados, podem custar mais do que a passagem.

A estratégia traz alguns benefícios fiscais. Nos EUA, por exemplo, existe um imposto federal de consumo de 7,5% que as companhias aéreas devem pagar em todos os voos, mas não se aplica a quaisquer taxas adicionais opcionais.

  • Assim, quando você compra uma passagem de US$ 100, incluindo bagagem despachada e seleção de assento, a empresa ainda precisa pagar US$ 7,50 de imposto sobre esses US$ 100.
  • No entanto, se você comprar uma passagem de US$ 50 e depois pagar US$ 50 para despachar a bagagem e escolher seu assento, o imposto será apenas sobre os US$ 50 do ticket aéreo.

Além disso, a chave para o sucesso de uma companhia aérea low-cost é o forte controle de custos operacionais. Tanto que a maioria dessas LCCs opera frotas com apenas um modelo de avião, o que agiliza treinamento e manutenção.

Imagem: PYOK

As LCCs também tendem a voar para aeroportos menores e com menos tráfego, onde conseguem negociar melhores tarifas de utilização do local.

EUA vs Europa
As companhias aéreas low-cost são mais competitivas em voos curtos, o que faz da Europa o playground perfeito para elas.

  • Existem muitos mais aeroportos secundários no Velho Continente;
  • Existem mais companhias aéreas operando na Europa, o que torna a concorrência aérea mais robusta.

Não à toa, de 2011 a 2023, as passagens da irlandesa Ryanair têm sido mais baratas em comparação com as da Frontier, Allegiant e Spirit. Até porque as americans têm lutado com a alta dos custos, por conta da intensa concorrência com as grandes cias.

Para piorar ainda mais a situação, neste ano, houve um boost na demanda por viagens internacionais entre os estadunidenses.

O resultado disso: Nesta semana, a Spirit Airlines declarou que deve entrar com um pedido de recuperação judicial — que pode indicar uma tendência do segmento nos EUA.

Enquanto isso, no Brasil… 🇧🇷

Imagem: UOL Economia

Uma das últimas expoentes desse segmento foi a ITA Transportes Aéreos, aerolinha da Itapemirim. Fundada em 2020, a empresa chegou a vender passagens até 65% mais baratas do que Azul, Gol e Latam.

No entanto, após cancelar todos os seus voos no Natal do ano seguinte, a justiça de São Paulo decretou a falência da LCC em julho de 2023.

Categorias
CASE

Do tapete vermelho para o seu closet

Já imaginou ter o look que as celebridades desfilam nas premiações? Agora, uma plataforma permite que você compre, em tempo, real as roupas que vê ao vivo na TV.

Contexto: No mercado de Smart TVs, a tecnologia de interação com anúncios pelo controle remoto já existe. Acontece que o público não comprou a ideia — até porque não é nada prático ter que sair da transmissão só para fazer uma compra.

Mas há um gap nesse mercado… Um estudo revelou que só 29% das compras foram realizadas após ver uma propaganda na tela da TV, enquanto no mobile foram 56%.

De olho nisso, a americana Shopsense.AI entrou em cena para oferecer uma interação mais fluida com esses anúncios, criando experiências interativas para o consumidor por meio de uma ‘segunda tela’: o celular.

Como funciona? Com o celular em mãos, você tira uma foto da sua roupa favorita e, com uma ajudinha da AI, a plataforma te leva até a loja que vende a peça escolhida.

Sem perder a oportunidade, a Paramount fez um acordo com a Shopsense, permitindo que os espectadores fotografassem seus artistas favoritos no MTV Video Music Awards (VMAs) e adquiram seus looks preferidos.

Te lembra algo? Ano passado, o TikTok lançou o TikTok Shop para que as marcas e influenciadores vendam seus produtos diretamente nos vídeos. O boom foi tão grande que já superou 500 mil vendedores nos EUA.

Categorias
CASE

Estamos caminhando para o ano mais quente da história

Imagem: Aida Amer

Tão quente que queimou a meta. Com uma sequência de meses batendo recordes de temperatura, 2024 deve ser o ano mais quente da história da Terra — ficando 1,55°C acima do nível pré-industrial dos anos 1850.

  • Se pouco mais de um grau e meio te parece pouca coisa, saiba que esse número é bem importante quando lembramos do Acordo de Paris, o principal tratado mundial sobre o clima.

Why it matters? Os cientistas classificaram 1,5 °C de alta como um “ponto de virada”, já que, a partir dele, eventos extremos como inundações, secas, incêndios e escassez de alimentos podem aumentar drasticamente.

Só neste ano, por exemplo, o mundo passou por enchentes na Espanha, furacões nos EUA e Filipinas, seca em regiões da África, ondas de calor na Europa e até fenômenos climáticos devastadores por aqui no nosso país.

🥵 Por que tão quente? São duas as principais causas: as altas emissões de gases com efeito estufa e o fenômeno do El Niño, que aquece as águas do Oceano Pacífico.

🫵 E tudo isso pode chegar no seu bolso !
Com as temperaturas mais altas, a renda global pode ser reduzida em 20% até 2050. Ao todo, o PIB global deve diminuir em quase US$ 40 trilhões — principalmente pelo impacto na agricultura.

Bottom-line: Pense que a prática representa ~5% do PIB mundial, e com a crise climática gerando chuvas extremas ou calor exagerado, o impacto pode ser maior na economia de países mais dependentes do setor — como o Brasil.

Categorias
CASE

Como o Brasil domina a produção de açúcar sem queimar os canaviais

A cana-de-açúcar é, em média, responsável por quase 80% da produção global de açúcar.

Mas a planta é tão difícil de ser colhida que muitos agricultores primeiro colocam fogo em seus canaviais para se livrarem das folhas para, depois, coletarem mais facilmente a valiosa cana cheia daquele suco que acompanha muito bem um pastel de feira.

No Brasil, maior produtor de açúcar do mundo, essa prática era muito comum. No entanto, há algumas décadas, os agricultores descobriram como colher a planta sem ter que atear fogo.

Começando do início…
Durante séculos, trabalhadores no mundo colhiam cana-de-açúcar manualmente, mas limpar as folhas duras com um facão era demorado e afetava o físico dos trabalhadores no longo prazo.

A queima melhorou o processo, economizou dinheiro para as empresas e ajudou a expulsar pragas indesejadas, como, por exemplo, insetos e ratos. Mas o processo ainda não era o melhor.

Eis que, com o avanço da tecnologia, a maioria dos agricultores brasileiros passou a colher a cana-de-açúcar crua a partir da utilização de máquinas. Veja o processo:

🪚 As colhedoras de cana possuem uma serra circular que primeiro corta a parte superior da cana;

🌬️ Logo, uma espécie de ventilador separa as folhas do caule para depois deixar no solo o material vegetal indesejado;

🍂 Por fim, esses “restos” se tornam matéria orgânica para fertilizar os canaviais.

Acontece que os solos vermelhos do Brasil são secos e não são abundantes em matéria orgânica. As folhas da planta o protegem da perda de água e da erosão, mantendo-o rico em nutrientes.

Hoje, máquinas desse tipo chegam a colher até 1.500 toneladas por dia. A cana crua também consegue reter o suco por mais tempo.

Maaaass… Tem o ônus nessa história
Ao não realizar a queima de canaviais, fica mais difícil eliminar as pragas. Por causa disso, muitas fazendas dependem de pesticidas para mantê-las afastadas.

Além disso, a cana crua também é mais difícil de processar porque contém folhas extras e impurezas. As fábricas precisam moer as plantas para depois esmagá-las nas usinas.

O suco é extraído da polpa e purificado, depois fervido e reduzido a um xarope e centrifugado para separar os cristais de açúcar.

Nem tudo é sobre o açúcar
Cerca de 50% da cana colhida no Brasil é usada para produzir etanol, e esse tem sido o principal incentivo para acabar com as queimadas.

Isso porque ele é um combustível de fonte renovável muito mais limpo que outras alternativas, especialmente as fósseis. O etanol queima de forma mais limpa do que a gasolina e emite 62% menos CO2.

O governo brasileiro começou a investir no seu programa de etanol em 1975, quando os preços do petróleo dispararam. A partir daí, a produção de cana triplicou em apenas uma década, especialmente no estado de São Paulo.

Mas, à medida que as fazendas se espalhavam, também aumentavam as queimadas. Isso tornou o etanol brasileiro difícil de ser vendido nos mercados internacionais.

A situação ficou pior após o Protocolo de Kyoto, acordo assinado em 1997 no qual 160 países se comprometiam a reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em até 5,2% entre 2008 e 2012.

Já em 2002, o estado de São Paulo assinou uma lei que dava aos agricultores cerca de 30 anos para acabar com as queimadas.

Para ajudar a eliminar o processo de forma gradual, criaram-se políticas públicas e estipulou-se um financiamento governamental. Isso sem falar do aumento de investimentos estrangeiros… E funcionou.

Em 2014, 90% da cana paulista foi colhida sem queimadas. Hoje, o Brasil é o 2º maior produtor de etanol do mundo — atrás apenas dos EUA —, tendo produzido 36 bilhões de litros na safra 2023/2024, dos quais 30B foram a partir da cana.

Estima-se que, desde 2004, os brasileiros economizaram R$ 110 bilhões simplesmente ao abastecer com etanol.

Já a cadeia sucroenergética do Brasil, que inclui outros biocombustíveis e energias renováveis feitos a partir da cana-de-açúcar, movimenta um valor bruto superior a US$ 100B, cerca de 2% do PIB nacional.

PS: A queima controlada dos canaviais ainda é realizada no Brasil, sobretudo no Nordeste.

Categorias
CASE

Seria essa a melhor batalha de marketing de todos os tempos?

Engana-se quem ainda acredita que grandes rivalidades se limitam apenas ao esporte. Ao longo das últimas décadas, tivemos — e continuamos tendo — grandes confrontos entre marcas líderes em seus segmentos. 

  • No entanto, são poucas as empresas que conseguiram traçar embates tão épicos quanto Pepsi e Coca-Cola. Um deles, ocorrido na década de 1970, é comentado até hoje. 

Naquele período, o império da Coca-Cola parecia intocável. Sua distribuição era imbatível e sua marca estava em toda parte. Mas a equipe de marketing de sua grande rival percebeu algo entre os consumidores americanos.

Quando as pessoas não conseguiam ver os rótulos, elas preferiam o sabor da Pepsi. Só que, ao mostrar os logotipos, elas quase sempre optavam por uma coquinha. Nascia então o “Pepsi Challenge”. 

Em 1975, a empresa visitou inúmeros locais públicos ao redor dos EUA nos quais oferecia às pessoas 2 copos sem identificação, um com a sua bebida e o outro com Coca-ColaDetalhe: Tudo seria gravado.

Embora o experimento não tenha sido científico e as filmagens pudessem ser facilmente editadas, as pessoas passaram a acreditar e aquilo passou a repercutir, especialmente nos anos 1980. Clique para ver esse ad de 1981

Com isso, a participação de mercado da Pepsi no país saltou de 6% para 14% durante a duração do desafio.

Em 1984, ela detinha 18,8% do mercado, contra 21,8% da Coca-Cola. Pela 1ª vez, a gigante parecia vulnerável. 

Para piorar ainda mais, a Coca-Cola realizou mais de 200 mil testes de degustação… E os resultados foram semelhantes: as pessoas preferiam realmente o sabor mais doce da sua concorrente.

Um anúncio que “paralisou” a indústria 🛑 

No dia 23 de abril de 1985, a Coca-Cola deu às boas-vindas à “New Coke”fazendo mudanças em sua receita após 99 anos. Antes que você pense que isso resolveu… A medida foi um verdadeiro tiro no pé. 

  • Cerca de 8 mil ligações diárias de clientes reclamando;
  • Diferentes grupos de protesto, como a “Old Cola Drinkers of America”, ​​surgiram em todo o país.

O problema foi que a empresa subestimou a ligação emocional dos consumidores fiéis à marca. Quando realizaram a pesquisa de mercado, nunca perguntaram aos participantes como eles se sentiriam se a nova fórmula substituísse a antiga.

Após 79 dias de caos, a empresa admitiu a derrota e anunciou que a bebida estava voltando como “Coca-Cola Classic”. 

A reviravolta inesperada. O público os perdoou instantaneamente e, em poucos meses, o refrigerante voltou a ser o mais vendido, à frente da Pepsi, revelando que a marca era mais forte que o próprio produto.

Para muitos, essa batalha mudou o marketing para sempre, mostrando que marcas fortes criam defensores emocionais — muitas vezes, para toda a vida.

Para os curiosos de plantão: Confira outras 19 grandes batalhas de marketing das últimas décadas.

Categorias
CASE

Dólar chega a segundo maior valor da história

Se o dólar já tinha batido o seu maior nível em três ao longo dessa última semana, ontem ele voou de vez: teve uma considerável alta de 1,5%, chegando a R$ 5,87.

💵 Esse só não é o maior nível da história porque, em 13 de maio de 2020, no início da pandemia, a moeda americana fechou a R$ 5,90.

Quais os motivos para isso?

Falta de um plano robusto de corte de gastos: Apesar do governo falar que vem um corte de gastos por aí, até agora, não está nada claro para o mercado como e em que medida ele virá. Para agravar o receio da Faria Lima, Haddad ficará fora do Brasil nesta semana — o que deve adiar os planos de um possível anúncio.

Chances de Trump ganhar a eleição americana: Mesmo com as pesquisas indicando um disputa acirrada entre Trump e Kamala, o mercado tem aumentado na projeção a possibilidade do republicano vencer. Os seus planos de tarifas de importação mais abrangentes podem impactar países produtores de commodities, como o Brasil.

Desaceleração no mercado americano: O Payroll mostrou que houve uma desaceleração no número de vagas criadas nos EUA, de 223 mil em setembro para só 12.000 em outubro. Essa queda reforça argumentos para o Banco Central americano cortar os juros por lá.

Atividade econômica brasileira: Enquanto isso, por aqui, a produção industrial subiu 1,1% em setembro, a maior taxa de crescimento para o mês em 4 anos. Isso mostra que, mesmo com juros altos, a nossa economia parece aquecida, sendo mais um motivo para o nosso Banco Central não cortar juros — ou até subir.

A bolsa também não tem sorrido…O Ibovespa fechou o seu quarto pregão de queda seguido ontem, tendo caído 1,23%, aos 128.121 pontos.
Categorias
CASE

Halloween: a festa que movimenta bilhões de dólares

Imagem: USA Today

Com outubro chegando ao fim, muitas pessoas enfrentaram o mesmo dilema: o que usar no Halloween? Brincadeiras à parte, o famoso “Dia das Bruxas” 🎃 é uma das festividades mais populares e lucrativas dos Estados Unidos.

Para este ano, ele deve movimentar US$ 11,6 bilhões, sendo US$ 3,8 bi destinados a fantasias e outros US$ 3,8 bi para decorações.

Uma das empresas que está feliz com isso é a Spirit Halloween, varejista sazonal estadunidense que fornece acessórios, enfeites e fantasias para o “Dia das Bruxas” nos EUA e Canadá.

São mais de 1.500 lojas – todas temporárias (pop-up stores), operando desde a metade de julho até a metade de novembro;

Mais de 50 mil trabalhadores temporários.

O modelo de negócios, que depende majoritariamente em convencer os proprietários dos imóveis a concordarem com arrendamentos de curto prazo, se mostrou lucrativo para o varejista.

Estima-se que a empresa tenha faturado US$ 650 milhões em 2023.

Outro tipo de negócio que se tornou muito popular nos últimos anos durante o Halloween foram as “casas mal-assombradas”, atraindo cerca de 46,5 milhões de americanos (18% da população do país) somente no ano passado.

Imagem: Orlando Informer

Quem se aproveitou disso foi a Universal. A empresa investe mais de US$ 100 milhões por ano para organizar a sua “Halloween Horror Nights” (HHN) em seus parques temáticos espalhados pelo mundo.

Muitas das atrações estão conectadas a propriedades intelectuais de sucesso como Os Caça-Fantasmas, Stranger Things e Sobrenatural.

Só na Flórida, o público estimado é de 30.000 a 35.000 visitantes diários. Isso sem contar que o parque localizado na cidade de Orlando viu o HHN arrecadar cerca de US$ 575 milhões em vendas em 2022.

Por último, estima-se que os americanos gastem cerca de US$ 3,5 bilhões em doces neste Halloween — e, ao que parece, uma marca já se tornou a queridinha de todos.

No Brasil, a celebração tem sido cada vez mais abraçada e, neste ano, deve haver um crescimento de 15-20% nas vendas relacionadas ao Dia das Bruxas.

Crie um site como este com o WordPress.com
Comece agora