
Anos antes de Shein, Temu e companhia, um dos principais nomes do fast-fashion foi a Forever 21. Em seu auge, teve uma presença global com mais de 800 lojas físicas e mais de 43 mil colaboradores.
Mas, nesta semana, a empresa entrou com um pedido de recuperação judicial pela segunda vez nos EUA, forçando-a a fechar lojas no país e demitir centenas de funcionários.
Então, o que deu errado?
A história começou em 1984. O casal sul-coreano Jin Sook e Do Won “Don” Chang, que imigrou para os EUA três anos antes, juntou US$ 11 mil para abrir a primeira loja em Los Angeles, chamando-a de Fashion 21.
O fast-fashion não era uma tendência nova. Concorrentes como Zara e Topshop já vendiam produtos semelhantes, mas a Forever 21 os oferecia preços mais baratos.
Além disso, ao contrário de outros players populares entre os adolescentes, um dos diferenciais da empresa era a sua capacidade de estar sempre ligada nas últimas tendências da moda, com estilos que você veria apenas em lojas de roupas de grife.
Isso acabou atraindo uma gama muito maior de consumidores, especialmente os mais fanáticos pelo mundo fashion… Os números estão aí para provar:
Em 2011, cerca de 10% dos consumidores adolescentes listaram a Forever 21 como sua marca favorita.Já em 2015, as vendas da varejista atingiram sua máxima, ultrapassaram os US$ 4 bilhões.
O sucesso levou a marca ao mundo, abrindo mais de 200 lojas no exterior, com pelo menos 70 delas com 3.250 metros quadrados ou mais — incluindo uma unidade de mais de 8.300 m² na Times Square.

Mas a expansão teve um custo
Os grandes espaços significavam que a empresa tinha que ter muito estoque. Com o tempo, isso virou um problema financeiro que não era tão fácil de administrar.
O resultado: Em 2019, a Forever 21 entrou com pedido de recuperação judicial, citando como razões sua rápida expansão internacional e o baixo desempenho. Lojas no Canadá, Europa e Ásia perderam, em média, US$ 10 milhões por mês entre 2018 e 2019.
No geral, as vendas caíram devido ao aumento do comércio eletrônico, ao qual ela foi muito lenta para se adaptar — e a pandemia ainda agravou isso.
Quando entraram com o pedido de recuperação judicial, apenas 16% de suas vendas eram por e-commerce. Um mês depois, a empresa continuou perdendo dinheiro, na casa dos US$ 120 milhões.
Foi nesse momento que a Authentic Brands Group (proprietária da Reebok) e os donos de shopping centers Simon Property Group e Brookfield Property Partners se uniram para comprar a Forever 21.
Parte da proposta era que eles seriam mais flexíveis sobre os aluguéis, dando à varejista um pouco mais de margem quando as coisas não estivessem indo tão bem.
Mas ainda viria outro desafio… 
Shein e Temu usam milhares de fábricas na China para lançar novos produtos a preços ainda mais baixos. Por exemplo, uma camiseta de US$ 11 na Forever 21 é vendida na Shein por US$ 5.
Eis que, em 2023, a Forever 21 fechou uma parceria com a Shein, e a varejista chinesa passou a ofereceu uma linha da marca americana em seu site.
Embora isso tenha rendido certo boost nas vendas, não foi o suficiente para recuperar o espaço perdido para as concorrentes asiáticas.
Agora,as lojas Forever 21 nos EUA começaram fortes liquidações para queimar estoque. Mas isso não significa que a Forever 21 desaparecerá completamente.
A Authentic Brands planeja continuar sendo dona da Forever 21. Há lojas no exterior que não serão afetadas por esse pedido de recuperação judicial.
A marca também está aberta à ideia de ser comprada, tendo procurado interessados — mais de 200 potenciais licitantes —, mas nenhum acordo viável foi fechado.