
O ano era 1974. O clima era de tensão no Zaire (atual República Democrática do Congo) para um dos grandes duelos de boxe do século passado.
De um lado, George Foreman, 25 anos, campeão dos peso-pesados, com 37 nocautes em 40 lutas;Do outro, um tal de Muhammad Ali, que embora temido, era considerado como um “astro envelhecido” com seus 33 anos.
Foreman parecia imparável, e era dado como o favorito. No entanto, na hora dos vamos ver, o ex-campeão utilizou uma estratégia simples, mas que foi devastadora: o Rope-a-dope.
Durante os primeiros 7 assaltos, Ali se defendeu nas cordas enquanto seu oponente lhe desferia duros golpes, mas que só atingiam o seu tronco, causando pouco dano.
Acontece que, todo esse esforço foi esgotando as energias de Foreman… Que acabou sendo nocauteado no 8º round em frente a 60 mil pessoas in loco e cerca de 1 bilhão de telespectadores em todo o mundo. Clique para ver os highlights da luta
Com a derrota, o “império” de Foreman desmoronou. Ele se tornou um recluso religioso, desistiu totalmente do boxe e perdeu sua fortuna de US$ 5 milhões.
Corta para 1987…
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Aos 38 anos, ele anunciou a sua volta ao esporte. O mundo esportivo riu, mas a grande maioria não entendeu algo: o retorno não foi sobre boxe, mas sobre reinvenção.
Foreman não era mais o “destruidor” que aterrorizava seus oponentes. Agora, era “o vovô favorito de todos”, que sorria, brincava, e não conseguia parar de falar sobre cheeseburgers. O público americano se apaixonou.
Eis que, em 1994, o impossível aconteceu. Aos 45 anos, ele nocauteou Michael Moorer e se tornou campeão dos pesos pesados.
Só que, muito mais do que cinturão, Foreman mostrou o domínio sobre algo muito mais valioso: a arte da autenticidade.
Chegou então o momento que faria história
No mesmo ano, a Salton Inc, uma empresa de eletrodomésticos, estava desesperada. Sua grelha “Short Order Grill” não estava vendendo e uma collab com alguma figura pública poderia contornar essa situação.
Após o astro da luta livre, Hulk Hogan, não ter dado retorno, a companhia enviou uma unidade para Foreman — que ficou escanteada por 6 meses até que sua esposa o convenceu a testá-lo… E ele adorou.
Lembra da paixão dele por hambúrgueres? Pois bem… A grelha tinha inclinação de 20 graus que drenava a gordura, cozinhando os dois lados ao mesmo tempo.
Seu próximo passo? Em vez aceitar um “grande cheque” promover a marca, ele pediu 40% dos lucros de cada unidade. O motivo: a fama desaparece, mas a propriedade é para sempre.
As vendas iniciais não tracionaram tanto, mas as coisas esquentaram rapidamente após a primeira aparição de Foreman na QVC, rede de compras de TV (estilo a Polishop), para divulgar seus produtos.
Enquanto os apresentadores conversavam sobre as qualidades da grelha, Foreman pegou um hambúrguer e comeu diante das câmeras, o que fez com que as linhas telefônicas começassem a tocar.
Daí em diante, Foreman jogou fora o manual das celebridades e passou a se filmar cozinhando com a família, contando histórias. Não era sobre simplesmente cozinhar, mas sim unir as famílias.
O resultado: Após um início difícil em 1996, a empresa atingiu cerca de US$ 200 milhões em 1998. No auge, o ex-boxeador ganhava US$ 8 milhões todos os meses em royalties.
A cereja do bolo
No final de 1999, a Salton Inc. anunciou um acordo de US$ 137 milhões para o uso do nome e da imagem de Foreman para vender produtos como grelhas e churrasqueiras.
Ao longo dos anos, o George Foreman Grill se tornou muito querido em muitos lares. Entre 1994 e 2023, foram mais de 100 milhões de unidades vendidas.