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O comercial que mudou a história da publicidade no Super Bowl

Imagem: InsideHook

O ano era 1983. O império da IBM parecia imparável. Seu lucro líquido de US$ 5,5 bilhões fez com que a companhia se tornasse a corporação industrial mais lucrativa do mundo.

Suas receitas eram cerca de 9x superiores às da Digital Equipment Corporation, a 2ª empresa com maior receita na parte de computadores;No mercado de grandes computadores centrais — ou mainframes —, sua participação de mercado ultrapassava 70%.

O que eles não esperavam era que um tal de Steve Jobs estava prestes a mudar o jogo… Começando com uma decisão que, naquela época, foi considerada como a mais ousada na história da Apple.

O cofundador da empresa da maçã contratou Ridley Scott, cineasta responsável pelos filmes Alien, o 8º Passageiro (1979) e Blade Runner (1982), para dirigir um anúncio do Super Bowl.

Seu orçamento? US$ 600 mil(US$ 1,8 milhão quando ajustado pela inflação) por 60 segundos, cifra maior do que todo o gasto anual com TV. O conselho da Apple ficou horrorizado e exigiu que Jobs vendesse o espaço publicitário imediatamente… O que não aconteceu.

A filmagem que jogou lenha na fogueira…

O conceito original era mostrar a luta pelo controle da tecnologia informática como uma luta de poucos contra muitos

A Apple queria que o Mac simbolizasse a ideia de empoderamento, com o anúncio apresentando-o como uma ferramenta para combater a conformidade e afirmar a originalidade.

Eis que entra a visão e, em partes, loucura, de Ridley Scott. Ele filmou durante 3 dias em Londres e trouxe 200 skinheads reais como figurantes para simbolizar um público preso a um olhar opressivo. Clique para ver o vídeo.

Inicialmente, na década de 1960, os skinheads faziam parte de um movimento enraizado na cultura jovem da classe trabalhadora. Contudo, no final dos anos 70, tornaram-se violentos devido a fatores como dificuldades econômicas, vandalismo no futebol e radicalização política.

Maass… O grande momento ainda estava por vir 

O dia era 22/01/1984. Quase 100 milhões de pessoas sintonizaram para ver a partida entre Los Angeles Raiders e Washington Redskins pelo Super Bowl XVIII. Mas o jogo terminou sendo um figurante.

O comercial da Apple sobre um futuro industrial sombrio trouxe fileiras de figuras carecas que marchavam em sincronia. Na tela, uma espécie de “Big Brother” falava monotonamente sobre “purificação de informações”. 

Em seguida, um flash de cor deu lugar a uma atleta que entrou correndo e lançou uma marreta em direção à telona. Após a explosão, veio a seguinte frase:

No dia 24 de janeiro, a Apple Computer apresentará o Macintosh. E você verá por que 1984 não será como 1984.

Clique para assistir o vídeo

O impacto foi enorme. As emissoras de notícias repassavam constantemente, gerando US$ 5 milhões em publicidade gratuita.

Mas isso foi apenas o começo. O ad da Apple transformou a publicidade do Super Bowl para sempre. O que antes era apenas um espaço publicitário tornou-se um momento cultural.

Em 1984, as empresas desembolsavam cerca de US$ 300 mil (cerca de US$ 900 mil nos dias atuais) para estar no evento. Para a edição deste ano, o preço por 30 segundos chegou a ser comercializado por US$ 8 milhões.

Há 41 anos, a Apple entendeu algo mais profundo: Um bom marketing não tem a ver com produtos, mas sim sobre transformação. O Macintosh não era apenas um computador, mas uma “arma contra a conformidade”. A IBM não era uma concorrente, mas um “império a ser derrubado”.

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Por Niceana Maria

Jornalista; Licenciada em Letras Português/Inglês

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