Já era de se esperar. Todos estariam de olho no discurso de abertura do presidente Jair Bolsonaro na Assembleia Geral das Nações Unidas.
Houveram críticas; muitas falas do presidente geraram uma repercussão negativa, porém, houve também quem interpretou o discurso de forma positiva
Bolsonaro foi o primeiro chefe de estado a discursar e diante das delegações do mundo todo, defendeu o uso de medicamentos sem eficácia para a Covid-19, mostrando-se ainda favorável ao ‘tratamento precoce’ e contra medidas sanitárias mundialmente reconhecidas, como o lockdown.
O que foi dito pelo chefe de estado brasileiro:
“Estamos há 2 anos e 8 meses sem qualquer caso concreto de corrupção.” negando o fato de que a CPI da COVID-19, que teve a entrega de seu relatório adiada para outubro, pretende enquadrar o presidente Jair Bolsonaro em crime de corrupção em relação à vacina indiana Covaxin.
“Nossas estatais davam prejuízos de bilhões de dólares, hoje são lucrativas.” O presidente Jair Bolsonaro deu a entender que as empresas estatais federais passaram a dar lucros a partir de seu governo iniciado em 2019, o que não se sustenta, pois segundo dados do Ministério da Economia, no ano de 2016 durante os mandatos de Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB) as empresas registraram lucro de 4,4 bilhões. Desde então, segundo levantamento da agência Aos Fatos, o resultado positivo aumentou: R$ 24,9 bilhões em 2017, R$ 71,3 bilhões em 2018 e, em 2019, no primeiro ano de Bolsonaro no governo, de R$ 109,1 bilhões. Já no ano passado, a soma dos lucros das empresas caiu para R$ 60,7 bilhões.
“Somente no bioma amazônico, 84% da floresta está intacta, abrigando a maior biodiversidade do planeta. Lembro que a região amazônica equivale à área de toda a Europa Ocidental. Na Amazônia, tivemos uma redução de 32% do desmatamento no mês de agosto, comparado a agosto do ano anterior” essa fala de Bolsonaro diverge com os dados oficiais divulgados na segunda-feira 20 pelo Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) revelam que o mês de agosto deste ano teve o pior nível de desmatamento dos últimos 10 anos de monitoramento: 1606km² foram desmatados, segundo o levantamento; o número representa, segundo o Imazon, um aumento de 7% de desmatamento em relação ao mesmo mês de 2020.
“Antecipamos, de 2060 para 2050, o objetivo de alcançar a neutralidade climática. Os recursos humanos e financeiros, destinados ao fortalecimento dos órgãos ambientais, foram dobrados, com vistas a zerar o desmatamento ilegal.” Levantamentos oficiais mostram que no governo de Bolsonaro, sob a gestão do Ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, no intervalo de apenas um ano, foram aprovadas 721 medidas que impactaram diretamente a situação ambiental brasileira. Redução de fiscais do Ibama e retirada de atribuições do Inpe também marcaram a atual gestão. As políticas ambientais de Bolsonaro são alvos de três inquéritos na Polícia Federal.
“14% do território nacional, ou seja, mais de 110 milhões de hectares, uma área equivalente a Alemanha e França juntas, é destinada às reservas indígenas.”
A extensão do território nacional ocupada por terras indígenas é de 12,7%, não 14%; de acordo com o levantamento da agência Aos Fatos.
“No Brasil, para atender aqueles mais humildes, obrigados a ficar em casa por decisão de governadores e prefeitos e que perderam sua renda, concedemos um auxílio emergencial de US$ 800 para 68 milhões de pessoas em 2020.”
Bolsonaro distorce o valor do auxílio dando a entender que 68 milhões de brasileiros receberam o equivalente a 800 dólares em 2020. O que não é real, pois o auxílio emergencial foi de 600 reais, podendo a chegar a 1200 reais por família, de qualquer forma bem distante do que foi discursado pelo presidente.
Bolsonaro também disse que o Brasil foi pego de surpresa nesta pandemia, o que não se sustenta, pois o Brasil teve ao menos um mês para se antever ao que poderia ocorrer em caso de entrada do vírus no País. Isso porque, os primeiros casos em solo nacional só foram registrados semanas depois do vírus circular na Europa e mais de um mês depois das primeiras mortes na China.
Bolsonaro falou sobre e defendeu o “tratamento precoce” contra a COVID-19, que já foi comprovado cientificamente não haver eficácia nenhuma.
Bolsonaro disse ser a favor da vacinação, mas contra as medidas que obriguem os brasileiros a se vacinarem e citou o “passaporte de vacinação” medida adotada em estabelecimentos que permite a entrada apenas de quem já foi vacinado. Em NY essa medida está em vigor e por isso o presidente e sua comitiva não puderam entrar em nenhum restaurante na cidade.
Ainda em NY… O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que fez gestos obscenos contra opositores do governo, foi diagnosticado com COVID-19 e permanecerá em quarentena na cidade.
Ricardo Lewandowski, ministro do STF, decidiu no fim do dia que estados e municípios é que devem decidir sobre a vacinação de adolescentes maiores de 12 anos contra a COVID-19. A decisão vai de encontro à recomendação de suspensão da aplicação para essa faixa etária feita pelo ministério da Saúde.
Por último e não menos importante… A taxa de transmissão da COVID-19 no Brasil subiu a 1,03 nesta semana e esse é o maior patamar nos últimos 90 dias. Na semana passada, chegou a 0,81 — menor índice desde novembro de 2020.