O final de semana foi movimentado por aqui. Tudo começou na manhã de sexta-feira, quando Roberto Jefferson foi preso, por ordem da Polícia Federal e com autorização de Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal.
O motivo da prisão: Indícios do envolvimento do ex-deputado com milícias digitais que atuam contra o STF e as instituições democráticas.
Quem é ele? Medalhão na política brasileira, foi Roberto Jefferson quem trouxe o Mensalão à tona, quando afirmou que o PT pagava uma “mensalidade” de 30 mil reais para deputados votarem em leis que favorecessem o governo de Lula em 2005.
Condenado a 7 anos e 14 dias de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, cumpriu a pena e, atualmente, atuava como presidente do PTB.
Para alguns, ele era um aliado do atual governo, e seu partido estava entre os cogitados por Bolsonaro para filiação na disputa pela reeleição em 2022. Carlos Bolsonaro, filho do presidente, nega a vinculação.
Mas afinal, por que isso importa? Mais que uma simples prisão preventiva, o ocorrido reascende o debate sobre a liberdade de expressão no país e até onde as pessoas podem se manifestar livremente, o que influencia, direta ou indiretamente, toda a população.
Para o STF, a liberdade de se expressar não pode ser usada para atacar a democracia. É só se lembrar do que aconteceu com Daniel Silveira, deputado preso em fevereiro por manifestações contrárias aos ministros do Supremo.
Por outro lado, a Procuradoria-Geral da República — órgão que fiscaliza as ações dos três poderes — emitiu uma nota dizendo que a prisão é uma censura prévia à liberdade de expressão, o que é vedado pela Constituição Federal.
Jair Bolsonaro também se manifestou…
O presidente disse que apresentará ao Senado, nesta semana, um pedido de abertura de processos contra os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso pelos abusos e excessos da Suprema Corte.
Zoom out: O novo episódio demonstra e reafirma a forte desarmonia — quase uma ruptura — entre os três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) em um momento delicado para o país, que ainda enfrenta as consequências da pandemia.