O governo anunciou que está lançando o bolívar digital, uma nova moeda. Acontece que, com o novo formato, seis dígitos de todos os valores monetários serão eliminados.
Como assim, eliminados? Simples. Imagine tudo que alguém tem em sua conta bancária e divida por um milhão. Esse é o ajuste que será feito com a transição para facilitar a utilização da moeda.
Não é novidade; desde 2008, o governo venezuelano já implementou três conversões monetárias similares e, ao todo, o bolívar já perdeu 14 zeros.
A mais recente, em 2018, aconteceu quando a inflação atingiu seu pico no país e Maduro cortou cinco dígitos da moeda local.
Um cenário caótico está por trás disso:
Muito mais que uma simples digitalização, isso significa que as autoridades do país tentam conter a desvalorização da moeda faz tempo e simplesmente não conseguem.
O país dos milionários pobres. O salário mínimo vale sete milhões de bolívares, mas o preço da maioria dos produtos supera esse valor. Um café, por exemplo, custa 7.662.898 bolívares — pouco menos de US$ 2.
É mais grave que parece; cerca de 96,2% da população vive na pobreza e 79,3% estão em situação extrema. Uma pena para o país que já foi o mais rico da América do Sul e teve o 4º maior PIB per capita do mundo nos anos 50, graças à abundância de petróleo.
A Venezuela, dominada pelo Chavismo e pelo partido socialista local, está em recessão econômica há oito anos consecutivos.
Zoom out: Para especialistas, a mudança só facilitará as contas na calculadora, já que a grande quantidade de zeros dificultava as operações do dia a dia, e a população corre para usar as notas atuais com receio de perder grande parte do valor com a mudança.