Uma das maiores preocupações em relação à vacinação no Brasil girava em torno do prazo de validade das doses da farmacêutica Janssen (Johnson & Johnson), que estão a caminho daqui.
O governo brasileiro conseguiu antecipar a entrega de doses da J&J, mas havia uma dúvida quanto à capacidade de conseguir utilizá-las em tempo hábil, já que o vencimento estava previsto para dia 27 de junho.
Contexto… As doses foram compradas com um desconto de 25% — uma economia de cerca de R$ 480 milhões — por causa do prazo curto de validade, e o pagamento só ocorrerá em relação às doses que forem efetivamente aplicadas.
Apesar do susto, ontem, a Anvisa aprovou uma alteração no prazo de validade do imunizante. Anteriormente, as doses tinham validade de três meses. Agora, com a alteração, a utilidade se estende para quatro meses e meio.
Como assim?
Basicamente, a equipe técnica da agência avaliou uma série de dados e entendeu que a vacina tende a se manter estável pelo período aproximado de 135 dias — e não apenas 90 dias.
Na prática, a Anvisa seguiu a decisão do órgão equivalente nos Estados Unidos (US FDA), que, na semana passada, também aprovou a referida alteração.
Por que é relevante? Estamos prestes a receber 3 milhões de doses da Janssen. Na quarta-feira, as vacinas chegam ao Brasil e, se a data de vencimento original fosse mantida, elas se tornariam inutilizáveis no dia 27 de junho.
Como a logística de aplicação é complexa, o risco era grande. Com a mudança, o Brasil ganha mais um mês e meio para aplicação do imunizante, que terá a primeira leva direcionada às capitais.
Além disso, como esse é o único modelo que garante a proteção com uma única dose, o país ganha velocidade na campanha de vacinação. Outras 35 milhões de doses da J&J são esperadas nos próximos meses.