No último domingo, aconteceu o segundo turno das eleições presidenciais do Peru. No entanto, apesar de 99,8% dos votos já terem sido apurados, ainda não há um resultado. O país, proporcionalmente o mais afetado pela pandemia, está mesmo dividido.
Quem está na frente é o socialista Pedro Castillo, que chegou a declarar vitória com 50,2% dos votos, contra os 49,8% da candidata de direita, Keiko Fujimori.
Fraudes? De um lado, apoiadores de Castillo questionam a arrancada recente da opositora. Do outro, a própria Fujimori fez acusações de fraudes e colocou lenha na fogueira em um cenário que já está tenso.
Há quem veja a situação como similar ao que aconteceu nos EUA após as acusações de fraude feitas por Trump, seguidas de tensões.
A disputa ainda está em aberto, mas… Castillo assustou o mercado com suas propostas para redistribuir a riqueza da mineração, reformular a Constituição e aumentar os impostos sobre as mineradoras, uma grande fonte de receita para o país.
Como resposta, a Bolsa de Lima caiu fortemente nos últimos dias, principalmente as ações ligadas à mineração, com apreensões sobre a nova política econômica.
No entanto; ontem, um assessor econômico de Castillo disse que, caso eleito, ele manteria uma economia de mercado e não haveria grande intervenção estatal. Além disso, afirmou que o aumento dos impostos irá para reformas educacionais e de saúde.
A relevância para os brasileiros: 1) O Brasil é o terceiro maior parceiro comercial do Peru e 2) As eleições peruanas podem servir de termômetro para a região da América Latina como um todo.