É possível que, até ontem, você não sabia quem era essa pessoa. Mayra Pinheiro é pediatra e secretária do Ministério da Saúde, ficando conhecida por alguns como uma das defensoras da cloroquina no tratamento contra o coronavírus, a tal da “capitã cloroquina”.
E o que houve? Ontem, foi a vez dela de testemunhar à CPI da COVID-19, que — só para lembrar — visa apurar irregularidades e omissões do governo no combate à pandemia.
Qual foi o foco do depoimento? Basicamente, dois pontos principais: 1) Recomendação do uso da cloroquina e do tratamento precoce por parte do governo e 2) A falta de oxigênio em Manaus no início do ano.
1) Sobre a cloroquina e o tratamento precoce
A médica se disse pessoalmente a favor do tratamento precoce e do uso do medicamento, afirmando que aprovou o uso da cloroquina em sua própria família.
Questionada sobre a postura do governo em si, disse que em momento algum foi ordenada por Pazuello ou Bolsonaro a defender nenhuma das duas práticas.
Segundo ela, o governo apenas criou uma nota orientativa que estabeleceu doses seguras de medicamentos, caso o médico quisesse utilizar, mas que isso não retirou o livre arbítrio da relação de cada profissional com seus pacientes.
Sobre a suposta negativa das orientações da OMS, Mayra argumentou que o Ministério da Saúde não é obrigado a seguir as diretrizes da OMS, reforçando que a organização já falhou em suas recomendações algumas vezes e pode falhar novamente, como qualquer outra entidade.
2) A crise em Manaus
A secretária disse que é muito difícil prever o desabastecimento de oxigênio em um hospital, mas que Pazuello teve ciência da falta de oxigênio no dia 8 de janeiro. O estranho, para os parlamentares da CPI, é que, na semana passada, o ex-ministro afirmou que foi informado apenas na noite do dia 10 de janeiro.