Durante o final de semana, os chilenos tiveram a oportunidade de escolher as 155 pessoas que irão escrever o novo texto constitucional do país.
O movimento acontece depois de quase 80% da população, por meio de um referendo, votar a favor de uma nova constituição em outubro do ano passado.
O referendo foi fruto das fortes manifestações populares no país em 2019, que exigiam mudanças especialmente em relação à constituição atual.
Uma faca de dois gumes…
Para muitos, a constituição em vigor, elaborada durante a ditadura militar que o país viveu entre 1973 e 1990, é pouco social e fortalece excessivamente a inciativa privada.
Por outro lado, muitos dizem que o caráter excessivamente liberal e pró-negócios são fundamentais para o crescimento econômico e a estabilidade do Chile.
Por que isso é relevante? Além do Chile ser um dos países mais desenvolvidos da América Latina, pense que o principal instrumento da democracia do país está sendo feito do zero, com atributos jamais vistos em nenhum lugar do mundo.
A nova constituição chilena será a primeira a garantir a paridade de gênero em redação, ou seja, o número de homens e mulheres que irão escrever os novos artigos do texto constitucional deve ser idealmente similar. Além disso, 17 de suas 155 vagas serão reservadas para comunidades indígenas.
O órgão começará a funcionar em junho e os escolhidos passarão no máximo 12 meses elaborando o novo instrumento. Depois disso, os chilenos votarão novamente para a aprovação do texto final. Se não for aprovada, o país voltará ao texto atual e o processo será encerrado.
Se for aprovada, ela se tornará o texto constitucional mais novo do mundo. Na teoria, é provável que ela seja um reflexo ou, ao menos, traga alguns elementos do mundo contemporâneo, que não eram contemplados na década de 1970.